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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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SIBILÂNCIA E OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS NA IDADE PRÉ-ESCOLAR

Finelli E1, Peralta I1, Trincão D1, Moura S1, Correia M2, Escobar C3, Extreia J4, Martins P1, Neuparth N1, Leiria Pinto P1

1- Serviço de Imunoalergologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE
2- Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE
3- Departamento de Pediatria, Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE
4- Serviço de Pediatria, Centro Hospitalar Barreiro Montijo

- 3ª Reunião de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia. Lisboa 16 de Maio de 2014
- comunicação oral

Introdução: A avaliação funcional por prova de função respiratória (PFR) em idade préescolar (PE) tem vindo a ser utilizada de forma crescente na abordagem de patologia respiratória de carácter obstrutivo, revestindo-se de particularidades metodológicas e
interpretativas. É importante identificar factores preditivos de obstrução brônquica nesta faixa etária.
Objectivo: Avaliar os factores de associação à obstrução brônquica na idade PE.
Métodos: Estudo retrospectivo das PFR realizadas de Setembro de 2012 a Março de 2014, em crianças com idades entre os 3 e os 5 anos inclusive. Foram efectuadas espirometrias animadas para avaliação dos débitos expiratórios e colhidas as variáveis clínicas de cada doente. Foi realizada análise de frequências para variáveis categóricas e estudo de regressão logística através do programa SPSS®.
Resultados: Das 233 crianças propostas para exame, realizaram-se PFR com critérios de aceitabilidade e reprodutibilidade em 198 (taxa de sucesso de 85%). A idade média foi de 4,8 anos (± 0,74; 59% do sexo masculino), havendo 10,7% de prematuros (1,5% com idade gestacional inferior a 32 semanas). Em 40,3% encontraram-se antecedentes familiares directos de asma, e em 23% das crianças reportou-se tabagismo passivo. Dos dados obtidos, em 80,6% havia diagnóstico de sibilância recorrente (SR), e 40,4% das crianças apresentara pelo menos um episódio de sibilância nos 12 meses anteriores à prova. Em 41% da amostra demonstrou-se positividade nos testes cutâneos para aeroalergénios. Objectivou-se obstrução em 28,8% das crianças, apresentando 15,5% da amostra concordância na avaliação do FEV1, 25,1% no FEV0,75 e 27,3% no FEV0,5. A análise multivariada ajustando para sexo e prematuridade revelou que as crianças com SR apresentavam redução significativa do FEV1 (OR=4,50; IC 95% 1,00-20,29; p=0,051). As crianças com sibilância nos últimos 12 meses apresentavam tendência para redução do FEV1 (OR=2,12; IC 95% 0,95-4,73; p=0,067). O FEV0,75 associou-se com o diagnóstico de SR (OR=3,25; IC 95% 1,08-9,73; p=0,036).
Conclusões: Este estudo confirma a exequibilidade e utilidade da espirometria na detecção de obstrução brônquica. Encontrou-se associação entre SR e limitação dos débitos expiratórios. Salienta-se a potencial aplicação da PFR na prática clínica neste grupo etário.

Palavras-Chave: Sibilância recorrente, estudo functional respiratório, pré-escolar