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2018

ANUÁRIO DO HOSPITAL DONA ESTEFÂNIA
REPOSITÓRIO MÉDICO CIENTÍFICO

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INTERVENÇÃO EM BEBÉS COM DOENÇA INTESTINAL CRÓNICA

Joana Pombo

Psicóloga Clínica Área de Pedopsiquiatria - Unidade de Internamento Ligação
Hospital de Dona Estefânia
 Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

I JORNADAS DE PSICOLOGIA CLÍNICA DO CHLC “Percursos e desafios”27e 28 de Março de 2014

Introdução:
A presença de um psicólogo numa Unidade tem um lugar particular, na charneira entre o bebé, os seus pais e os técnicos cuidadores da Unidade, presos às questões vitais. Neste trabalho pretendemos abordar e refletir sobre a experiência dos últimos 3 anos em bebés com doença intestinal crónica (quer pela prematuridade, quer por malformações). São bebés acompanhados desde o nascimento, na UCIN, na Ucern, onde têm vários reinternamentos. Neste momento, é também pedido apoio ao nível da situação alimentar. Vamos abordar está experiência refletindo sobre 3 casos clínicos.

Caso Clínico 1: Mariana, nasceu de 31 semanas 4 meses de internamento, suspeita inicial de Hirschprung, foi para casa com ileostomia. Diagnóstico de S. intestino curto funcional. Aos 11 meses SNG reinternamento alimentação parentérica, apoio da psicologia de ligação por recusa alimentar, vómitos induzidos. Encerra ileostomia aos 16 m.

Caso Clínico 2: Leonor, 30 meses, vários internamentos prolongados. Gastrosquise, nasceu de 31 semanas alimentação parentérica. Recusa alimentar total à data do pedido.

Caso Clínico 3: Margarida3 anos, vários internamentos. Gravidez 38 semanas, anoxia neonatal, suspeita inicial de paralisia cerebral. Aos 9 meses inicia queixas obstrução,   suspeita de Hirschprung; 2 anos fez Ileostomia. Diagnóstico de pseudo oclusão intestinal crónica, alimentação parentérica, dieta zero.

Conclusões:   A Alimentação emerge como uma continuidade da vida intra-uterina, cordão sensorial, olfativo, gustativo e táctil, que liga o bebé à mãe. Neste período de pré-linguagem, a relação mãe/bebé é essencialmente sensorial. No decurso da alimentação fisiológica, são vivenciadas interações ricas, onde a mãe nutre o seu bebé com o seu cheiro, a sua voz, as suas mensagens, que constituem, um envelope de intimidade afetiva, propicio ao investimento positivo da esfera oral.

A Falta de estimulação oral regular no primeiro ano de vida pode induzir a uma falha ou a uma extinção desta competência. Há assim um curto-circuito na oralidade do prazer, afetivo e relacional. Um dos desafios do psicólogo é acompanhar a criança e os seus pais com o fim de restaurar o papel   nutridor da mãe e reforçar a ligação pais bebés.

Palavras Chave: prematuridade, doença intestinal crónica, internamento, perturbação