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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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TROMBOSE VENOSA CEREBRAL EM IDADE PEDIÁTRICA

Sofia Duarte1, Teresa Painho2, Rita Moura3, Carla Guerreiro3, Rita Silva1, José Pedro Vieira1

1 - Serviço de Neuropediatria, Hospital Dona Estefânia, CHLC;
2 - Departamento de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, CHLC;
3 - Internato do Ano Comum, CHLC.

- IX Congresso de Neuropediatria. 26-27 Fevereiro 2015, Coimbra (comunicação oral)

Introdução: A trombose venosa cerebral (TVC) é  rara em idade pediátrica com incidência  de 0,34-0,67/100 000. O uso de agentes anti-trombóticos no período neonatal e os factores de risco para sequelas graves continuam em discussão.
Objectivos:  Análise da clínica, diagnóstico e tratamento da TVC num hospital pediátrico terciário, relacionando possíveis factores etiológicos,  gravidade e  sequelas.
Material e Métodos: Estudo retrospetivo das TVC diagnosticadas no Hospital  Dona Estefânia,  durante 16 anos (1999-2015).
Resultados: Analisaram-se 18 doentes, 13 do sexo masculino e 5 do sexo feminino, com o diagnóstico de TVC entre os 5 dias de vida e os 22 anos (Mediana:4A). Como factores predisponentes ou associados identificou-se otite/otomastoidite/pansinusite/celulite periorbitária (8 doentes), doença gastrointestinal com desidratação(3 doentes) e meningite pneumocócica(2 doentes). Clinicamente, cefaleias(7 doentes) e alterações do estado de consciência(8 casos) foram a forma de apresentação mais frequente, surgindo também convulsões e sinais focais. A alteração do exame neurológico mais frequente foi a estase papilar. A TCE, realizada em 12 casos, revelou alterações sugestivas de TVC em 10 e hemorragia subdural num caso. Na RM/AngioRM, em 10 casos documentou-se envolvimento do seio sigmoide, com extensão à veia jugular interna(6) e ao seio lateral homolateral(6); 4 doentes apresentaram lesões parenquimatosas.
Foi instituída anticoagulação em 15 doentes na fase aguda e em 2 manteve-se como terapêutica crónica, por terem múltiplos eventos trombóticos e/ou alterações analíticas relevantes.
Na evolução, registamos ausência de mortes, hipertensão intracraniana em 9doentes(com intervenção neurocirúrgica em 2),  5 doentes apresentam sequelas motoras (minor em 3 e major nos 2 associados a meningite pneumocócica) e em 5 foram identificadas alterações cognitivo-comportamentais.
Conclusões: A TVC é diagnosticada com maior frequência em contexto infeccioso, associado a factores de risco pró-trombóticos. Apesar da dimensão reduzida da amostra, um pior prognóstico parece associado a infecção grave do SNC e eventualmente a alterações parenquimatosas.