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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CRIANÇAS E ADOLESCENTES OBESOS COM MAIOR ADIPOSIDADE TÊM MAIOR PREVALÊNCIA DE HIPERTENSÃO ARTERIAL E DE ALTERAÇÕES VASCULARES CUTÂNEAS

OBESE CHILDREN AND ADOLESCENTS WITH GREATER ADIPOSITY HAVE HIGHER PREVALENCE OF HYPERTENSION AND SKIN VASCULAR LESIONS

Inês Madureira1, Elisabete Dionísio1, Mónica Dias1, Laura Oliveira2, Marta Alves3, Daniel Virella3, Luís Pereira-da-Silva1, Gonçalo Cordeiro Ferreira1,2.

E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
1 - Laboratório de Nutrição, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE;
2 - Projeto Intervenção contra a Obesidade (PICO) do Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE;
3 – Centro de Investigação do Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

- 13º Congresso Nacional de Pediatria. Tróia, 11/3/2012 (Poster)
- Excellence in Paediatrics. Madrid, 28/11/2012 (Poster)
- Acta Pediátrica Portuguesa 2012;43 (Supl. 1):S45 (Resumo)
- Prémio Pierre Fabre (ex-aequo) atribuído pela Sociedade Portuguesa de Pediatria com o patrocínio dos Laboratórios Pierre Fabre, para os melhores trabalhos científicos apresentados no 2º semestre de 2012.

Fundamento: A obesidade é definida como excesso de adiposidade e pode associar-se a morbilidade específica. A adiposidade pode ser estimada por antropometria, mas é melhor avaliada por métodos mais confiáveis de medição da composição corporal, como a pletismografia de deslocação de ar (PDA).

Objetivo: Avaliar a relação da morbilidade associada à obesidade - hipertensão arterial e alterações cutâneas - com a adiposidade de crianças e adolescentes obesos.

Metodologia: Estudo transversal de crianças e adolescentes obesos (IMC, critério de Cole 2000), com >30 Kg, admitidos consecutivamente numa consulta especializada de um hospital pediátrico. A adiposidade foi definida pela percentagem de massa gorda (%MG) medida por pletismografia de deslocação de ar (Bod Pod®, Cosmed). Morbilidade associada avaliada: hipertensão arterial (HTA) sistólica e/ou diastólica (> p95, NIH 2005), estrias, celulite, acantose e alterações vasculares cutâneas.

Resultados: Foram estudados 70 indivíduos com %MG (média ±DP) 41,43 ±5,04; idade (média ±DP) 10,2 ±3,16 anos; 30 estavam na puberdade (Tanner); 38 eram do sexo feminino. A %MG foi superior no sexo masculino: 42,91 vs. 40,18 (p=0,023). Apresentavam HTA 25 dos indivíduos (35,7%), dos quais 6 com HTA sistólica e diastólica. A %MG era superior nos indivíduos com HTA: 43,18 vs. 40,45 (p=0,029) e particularmente nos rapazes pré-púberes com HTA: 46,7 vs. 41,9 (p=0,010). Apresentavam celulite 44 indivíduos (62,9%), acantose 35 (50%), estrias 16 (22,9%) e alterações vasculares 8 (11,4%). A presença de alterações vasculares associou-se a maior %MG: 45,08 vs. 40,96 (p=0,029). A acantose associou-se à presença de HTA: 51,4% vs. 20% (p=0,006). Na puberdade, na ausência de hipertensão, a presença de celulite ou de estrias foi mais frequente no sexo feminino (p≤0,028).

Conclusões: A maior gravidade da obesidade em idade pediátrica associa-se a maior frequência de HTA e alterações vasculares cutâneas, particularmente antes da puberdade. É importante identificar e intervir precocemente a obesidade pediátrica para obter um melhor controlo da morbilidade associada.