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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COUGH AND PERSISTENT SNEEZING OF NEUROLOGICAL CAUSE

Paulo Sousa1,4, Sara Prates2, Vera Reimão Pinto3, Ana Moreira4, Rita Silva4.

1 - Serviço Pediatria, Centro Hospitalar do Funchal;
2 - Serviço de Imunoalergologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
3 - Serviço de Otorrinolaringologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
4 - Serviço de Neurologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - VII Congresso de Neuropediatria – Doenças do movimento na criança, Porto, 20-21 Jan 2012 (Comunicação oral).
 - Resumo Publicado na Revista Sinapse Vol. 12, nº1 Maio 2012.

Introdução: Os tiques são a perturbação do movimento mais frequente na criança, sendo os tiques vocais menos frequentes, com diagnóstico diferencial mais complexo e terapêutica mais abrangente. Apresentamos 2 casos clínicos de crianças com tiques vocais exuberantes e repercussão funcional.

Caso clínico 1: Criança sexo masculino, 11 anos, com antecedentes de rinite alérgica controlada com cetirizina. Iniciou em Novembro 2006, salvas de crises esternutatórias, estereotipadas, refractárias a anti-histamínicos e corticoterapia tópica, não acompanhadas de rinorreia, obstrução ou prurido nasal. Recorreu várias vezes ao SU, foi avaliado por ORL e Imunoalergologia, realizou laringoscopia, TC seios perinasais e torácica, e espirometria com prova broncodilatação que foram normais. A avaliação Pedopsiquiátrica excluiu patologia deste foro. Foi referenciado à Neurologia, e por suspeita de tiques foi medicado com haloperidol (0,05mg/kg/dia), com boa resposta, mas suspenso por reação distónica. Foi posteriormente controlado com pimozide, clonidina, biperideno e alprazolam. Sem perturbação do comportamento, reduziu progressivamente terapêutica até suspender em Fevereiro 2008, permanecendo assintomático.

Caso clínico 2: Criança sexo masculino, 10 anos, com antecedentes de alergia alimentar e esofagite tratada. Em Abril 2011, 2 semanas após amigdalite, iniciou tosse seca persistente e foi medicado pelo alergologista assistente (antihistamínico e broncodilatador). Recorreu SU e foi avaliado por ORL e Pedopsiquiatria que excluíram patologia deste foro. Realizou laringoscopia, broncofibroscopia e TC crânio-cervico-torácica que foram normais, titulação Ac anti-estreptolisina O (168UI/ml) e anti-DNAse B (382U/ml) e pesquisa de Streptococo B-hemolítico (exsudado faríngeo) que foi negativo. Na avaliação neurológica foram evidenciados tiques vocais e alguns motores, pelo que iniciou pimozida, clonidina e apoio psicológico. Ocorreu melhoria progressiva e está assintomático há 4 meses, com esquemaredução progressiva da terapêutica.

Discussão: A exaustiva investigação diagnóstica realizada, demonstra a dificuldade do diagnóstico dos tiques vocais, pela sobreposição com outras patologias, nomeadamente do foro alérgico. A intervenção terapêutica exigiu politerapia (neuroléptico+agonista alfa2-adrenérgico) e apoio psicológico.

Palavras-chave: sneezing, persistent cough, vocal tics.