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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CONVULSÕES NA UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS PEDIÁTRICOS DO HOSPITAL DE DONA ESTEFÂNIA – CASUÍSTICA DE 6 ANOS (2005-2010)

Raquel Ferreira1, Marta Oliveira1, Gabriela Pereira1, Ana Moreira2.

1- Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.;
2 - Serviço de Neurologia, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - XV Reunião Anual de Cuidados Intensivos Pediátricos, HDE, Lisboa, Portugal, 20 de Janeiro de 2012 (Comunicação Oral).

Introdução: As crises convulsivas prolongadas e o estado de mal convulsivo são situações potencialmente letais e que podem causar sequelas neurológicas. O reconhecimento e o tratamento adequado precoces são fundamentais para o prognóstico.

Objectivos: Caracterizar os internamentos por convulsões na Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCIP) do Hospital de Dona Estefânia (HDE), ocorridos no período compreendido entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2010 (6 anos).

Metodologia: Estudo retrospectivo descritivo, com colheita de dados a partir da consulta dos processos clínicos. Os parâmetros avaliados foram: sexo e idade, proveniência, antecedentes de doença neurológica, presença ou ausência de febre, tipo de crise, diagnósticos, exames complementares de diagnóstico realizados, terapêutica efectuada (previamente à admissão e na UCIP), necessidade ou não de suporte ventilatório, duração do internamento, destino após a alta e mortalidade.

Resultados: Durante o período definido foram internadas na Unidade 118 crianças por convulsões (6,2% do total de internamentos). Destas, 52% eram do sexo masculino e a distribuição etária foi heterogénea, com idades compreendidas entre os 0 e os 191 meses (mediana 31,5 meses).
Existia patologia neurológica prévia em 41%, e 55% tiveram convulsões pela primeira vez. Em 42% das crianças, as convulsões foram acompanhadas de febre.
Os tipos de crise mais frequentes foram o mal convulsivo (40%) e as crises generalizadas (36%), seguidos das crises focais (15%), das crises não especificadas (6%) e do mal não convulsivo (3%).
Os diagnósticos etiológicos foram: epilepsia (36 %), convulsões em contexto de outra doença neurológica ou sistémica (28%), convulsões febris (22%) e infecção do sistema nervoso central (14%).
O EEG foi realizado em 83% dos doentes e a punção lombar em 43%. Quanto aos exames de imagem, 53% dos doentes realizaram TAC-CE e 21% RMN-CE.
Antes da admissão na UCIP, as benzodiazepinas (86%) e a fenitoína (51%) foram os fármacos mais utilizados. Na UCIP, a fenitoína (72%) e benzodiazepinas (58%) foram os mais frequentes. Houve necessidade de suporte ventilatório em 36% das crianças.
A duração do internamento variou de 1 a 108 dias (mediana 5, moda 3 dias). Após a alta, a maioria dos doentes foi transferida para uma enfermaria do HDE (84%). Durante o período estudado ocorreram 5 óbitos (4%).

Comentários: As convulsões são uma causa importante de internamento na UCIP, cuja abordagem exige uma interação multidisciplinar estreita, particularmente entre intensivistas e neuropediatras. Apesar de existir um grande número de crianças com doença neurológica prévia, na maioria do grupo estudado tratou-se do primeiro episódio de convulsão. A actuação nesta patologia é particularmente desafiante pela heterogeneidade da sua etiologia, quadro clínico e resposta à terapêutica.

Palavras-chave: convulsão, unidade de cuidados intensivos pediátricos.