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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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COMPLICAÇÕES ASSOCIADAS A CATETERISMO VENOSO CENTRAL NA UCIP-HDE 2006-2010

Gustavo Queirós, Gabriela Pereira, José Ramos, Lurdes Ventura.

Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - XV Reunião Anual de Cuidados Intensivos Pediátricos, HDE, Lisboa, Portugal, 20 Janeiro 2012 (Comunicação Oral).

Introdução: O cateterismo venoso central (CVC) é um procedimento essencial em cuidados intensivos pediátricos, tanto para monitorização hemodinâmica como para administração de fluidos, fármacos e nutrição parentérica. As suas complicações estão relacionadas com a experiência técnica da equipa médica que o efectua, dos cuidados de enfermagem prestados e com factores de risco do doente e do próprio dispositivo.

Objectivo: Avaliação da incidência de complicações relacionadas com o cateterismo venoso central, comparação com estudo anterior da UCIP-HDE (anos 1997-2001)* e investigação de eventuais factores de risco.

Métodos: Estudo retrospectivo num período de 5 anos (2006-2010) das complicações relacionadas com cateterismo venoso central em doentes internados na UCIP-HDE, através da revisão de notas de alta, processos clínicos e bases de dados da REUNIR-CIP (Recolha Uniformizada de Informação Relevante em Cuidados Intensivos Pediátricos). As variáveis estudadas foram tipo e data da complicação, idade, peso, tempo de exposição a CVC, outros procedimentos invasivos e patologia associada. Consideraram-se complicações que surgiram durante o internamento na UCIP (após 48h no caso das infecções), tendo sido excluídas as que foram causa da admissão. Na análise estatística foram utilizados o teste do qui-quadrado e o t-teste de Student, considerando-se haver diferenças estatisticamente significativas para valores de p<0,05.

Resultados: Foram submetidos a CVC 698 dos 1594 doentes internados (taxa de utilização 44%), do que resultou um tempo de exposicão de 6355 dias (2318 em 1997-2001). Registaram-se 54 complicações, constituindo uma taxa de 8,5/1000dias CVC (19,8 em 1997-2001. A complicação mais frequente foi a sépsis (n = 39, em 30 doentes), constituindo 42% do total e surgindo em média ao 20ºdia de CVC. A taxa de infecção foi de 6,1/1000dias CVC (aprox. 7,8 em 97-2001). Comparativamente à globalidade de doentes sujeitos a CVC, nos pacientes com sépsis verificou-se maior taxa de ventilação mecânica (76,7% vs 48%; p=0,002), maior duração de ventilação mecânica (média 19,4 vs 7,5 dias; p=0,001) e de cateterismo urinário (23,4 vs 6,9 dias; p<0,001). Nos doentes com o diagnóstico de queimaduras constatou-se uma maior taxa de sépsis associada a CVC relativamente aos restantes pacientes (12,2 vs 5,1 por mil dias CVC; p=0,012). Outras complicações major incluíram hemotórax (n=1), pneumotórax (n=2) e trombose venosa (n=4). Considerámos complicações minor a exteriorização acidental (n=6), a ruptura do dispositivo (n=1) e hemorragia local (n=1).

Discussão: Ao longo dos últimos anos, o tempo de exposição a CVC tem aumentado. Apesar da diminuição global da taxa de complicações, a taxa de sépsis/1000 dias de CVC é mais alta do que seria desejável. Em comparação com outras Unidades, dever-se-à ter em conta a influência que os doentes queimados parecem ter na taxa global. Tratou-se de um estudo retrospectivo, tendo-se verificado dificuldades na recolha de dados, quer pelo registo insuficiente quer por eventual subdiagnóstico. Pretendemos não só enfatizar a importância da existência dum registo consistente dos dados, como também levantar a discussão sobre medidas a adoptar para a melhoria destes resultados.

Palavras-chave: complicação, cateterismo venoso central.