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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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A DIABETES TIPO 1 NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

Rosa Pina.


Unidade de Endocrinologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

- Sala de Conferências do HDE, 31 de Janeiro de 2012 (Apresentação).

A Diabetes tipo 1 é uma das doenças crónicas mais frequentes nas crianças e adolescentes, resultando da destruição auto - imune das células beta pancreáticas em indivíduos com predisposição genética.
Em 2007 estimava-se que da população mundial de crianças e adolescentes dos 0 aos 14 anos de idade (1.8 biliões) cerca de 0.02 % (440.000) tivessem Diabetes correspondendo a uma média de 70.000 novos casos por ano.

Em Portugal existe actualmente, desde 2009, um registo nacional de casos de Diabetes em crianças e jovens até aos 21 anos de idade (DOCE) registando-se até Outubro de 2011, 4182 casos.

Na consulta de Diabetes do Hospital de Dona Estefânia, registados 265 casos, correspondendo este número ao terceiro maior dos 38 centros e ao maior dos centros pediátricos.

Na maior parte dos países ocidentais a Diabetes tipo 1 é ainda a responsável por 90% destes casos, apesar da diabetes tipo 2 estar a aumentar nos adolescentes sobretudo em certas populações de risco em que se associa ao grande aumento de prevalência de obesidade.

A incidência da Diabetes tipo 1 é muito variável, mesmo entre os países da Europa, e tem vindo a aumentar significativamente, sobretudo no grupo etário dos 0 aos 5 anos, o que coloca não só questões em relação a possíveis factores determinantes como dificuldades e desafios especiais no seguimento de crianças em fases tão precoces de desenvolvimento e crescimento, com risco não só de acumular anos para o aparecimento de possíveis complicações tardias da Diabetes como risco acrescido de complicações agudas nomeadamente hipoglicemia.

Desde o DCCT (Diabetes Control  and Complications Trial) nos anos  1990, que demonstrou  que o bom controlo,  quantificado pela determinação  de Hemoglobina Glicosilada  (A1c), se relacionava com a prevenção de complicações tardias da Diabetes , a intensificação do tratamento tornou-se um objectivo central. Nas crianças, não incluídas neste estudo, a intensificação do tratamento com insulina, associa-se sobretudo nas crianças pequenas a um maior risco de hipoglicemia.

O aparecimento de novas insulinas com perfis de acção cada vez mais perto do fisiológico, novos meios de administração, novas tecnologias de monitorização da glicemia e finalmente a disponibilidade de sistemas de infusão subcutânea continua de insulina vieram permitir contornar muitas das dificuldades mas sem dúvida aumentaram as solicitações dos pais, das crianças e adolescentes e da s equipas de cuidados para uma verdadeira intensificação da auto - vigilância, do controlo e dos cuidados.

Pretende-se aqui dar uma ideia do panorama actual, do que se dispõe, do que se espera, do que se anseia, a médio e longo prazo quanto a tratamento e cuidados das crianças e adolescentes com Diabetes tipo 1.

Palavras-chave: diabetes tipo I, criança, adolescente.