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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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AVANÇOS NAS FÓRMULAS INFANTIS: QUE NOVIDADES A CONSIDERAR?

ADVANCES IN INFANT FORMULAS: WHICH NOVELTIES SHOULD BE CONSIDERED?

Luis Pereira Silva. E-mail: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

- Sessão de formação no Curso Básico de Nutrição Pediátrica para Internos de Pediatria, organizado pela Nestlé Nutrition Institute, 3ª edição, Torres Vedras, 4/6/2012.
- Sessão de Formação no Curso eLearning Pós-Graduado de Actualização em Pediatria, organizado pelo Gabinete de Estudos Pós-Graduados da FCM-UNL. 1ª Edição, 2012.

As modificações das fórmulas infantis são actualmente norteadas por fundamentação validada por sociedades científicas independentes (ESPGHAN, Codex Alimentarius, EFSA) e por regulamentação jurídico-legal (Directivas Europeias, Diário da República).
No presente manuscrito apenas são abordadas algumas modificações nas fórmulas infantis introduzidas a partir da década de 90.
O excesso de proteína láctea pode estimular a secreção excessiva de insulina e IGF-1, também responsáveis pela actividade adipogénica predisponente à obesidade. Por isso, a ESPGHAN (2005) recomendou a redução da densidade proteica das fórmulas para lactente (1,8-3 g/100Kcal) e das de transição (1,8-3,5 g/100Kcal). Reduções maiores incorreriam no risco de diminuir para níveis críticos a concentração de triptofano.
O enriquecimento de fórmulas infantis com α-lactalbumina, rica em triptofano, permitiu a redução da densidade proteica com maior segurança, a sua aproximação ao perfil proteico do leite humano (LH) e eventual vantagem funcional, sendo esse aminoácido precursor da serotonina e melatonina.
Comparado com o LH, o leite de vaca, a partir do qual são fabricadas as fórmulas infantis, é muito pobre ou não contém alguns nutrientes funcionais, como os ácidos gordos polinsaturados de cadeia longa (LC-PUFAs) ω-3 e ω-6 e os oligossacáridos.
Metanálises recentes sugerem que a suplementação das fórmulas infantis com LC-PUFAs parecer segura, mas não estão ainda demonstradas vantagens inequívocas ao nível do neurodesenvolvimento e da visão que permitam recomendar a suplementação generalizada.
O fato de a flora intestinal nos lactentes alimentados com fórmula ser muito diferente da dos amamentados, serviu de argumento para suplementar algumas fórmulas com probióticos, parecendo trazer benefícios a curto prazo, nomeadamente na diarreia aguda e no eczema atópico, mas por segurança tal suplementação só é indicada nas fórmulas de transição.
Com o propósito de estimular a flora endógena saudável, outras fórmulas passaram a ser suplementadas com prebióticos, embora seja difícil "imitar" a estrutura e a função dos cerca de 130 tipos de oligossacáridos do LH. A Scientific Committee on Food (2003) apenas considera segura a suplementação com <0.8g/100ml da mistura 90% galacto-oligossacáridos (GOS) + 10% fructo-oligossacáridos (FOS).
A ESPGHAN publicou recentemente (2011) uma revisão sistemática sobre fórmulas suplementadas com probióticos e prebióticos, considerando que estas são seguras mas que ainda não há dados suficientes que recomendem a suplementação generalizada das fórmulas.