imagem top

2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

AVALIAÇÃO LABORATORIAL DOS RESULTADOS DAS UROCULTURAS DA URGÊNCIA DE PEDIATRIA MÉDICA

Cristina Marcelo, Marios Chaintoutis, Margarida Pinto, Rosa Barros.

Patologia Clínica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, E.P.E.

 - III JORNADAS DE PATOLOGIA CLÍNICA DO CHLC – 21 e 22 Maio, 2012.

Introdução: A infecção urinária é uma das mais frequentes na comunidade e a urocultura um dos exames mais frequentemente realizados no laboratório de Microbiologia.
O diagnóstico de infecção urinária na criança é particularmente importante na medida em que o quadro clínico é inespecífico e as consequências potencialmente graves.
A forma de colheita da urina é fundamental para a qualidade da amostra e para a interpretação dos resultados. As formas de colheita são o jacto médio, a partir da algália (em doentes algaliados), por cateterismo, por bolsa colectora, por cistoscopia, por nefrostomia e por punção supra-púbica que continua a ser o método de referência.

Objectivos: Análise dos resultados da Urocultura no Serviço de Urgência de Pediatria Médica do Hospital D. Estefânia, no Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC).

Resultados: Durante o ano de 2011 o Laboratório de Microbiologia recebeu 3836 amostras de urina para exame bacteriológico (urocultura) provenientes do serviço de urgência de Pediatria médica do HDE, sendo o serviço que maior número de uroculturas enviou ao laboratório (19% de todas as uroculturas). As uroculturas corresponderam 58% ao sexo feminino e 42% ao sexo masculino. 28% das amostras foram de crianças com menos de um ano de idade sendo 55% do sexo masculino, neste grupo etário.
Os resultados das uroculturas foram os seguintes: "negativo" - 57%, "contaminado" - 21% e "positivo" - 22%. Nestas últimas, os microrganismos mais frequentes foram a Escherichia coli com 507 isolamentos (61% dos microrganismos), seguida do Proteus mirabilis com 153 isolamentos (18%), a Klebsiella pneumoniae com 41 isolamentos (5%) e a Pseudomonas aeruginosa com 36 isolamentos (4%).
No grupo etário até aos 2 anos de idade, inclusive, (2116 amostras), 71% das colheitas foram efectuadas por bolsa colectora, 10% por jacto médio e 18% por algaliação. Nas colheitas por bolsa colectora, 55% dos resultados foram "negativo", 29% "contaminado" e 17% "positivo"; Nas colheitas por algaliação, 59% foram "negativo", 9% "contaminado" e 31% "positivo". A diferença entre os resultados de ambos os tipos de colheita é estatisticamente significativa (Teste Qui-quadrado: p<0.001).
Neste mesmo grupo etário, os microrganismos mais frequentemente isolados foram Escherichia coli (62%), o Proteus mirabilis (19%), a Klebsiella pneumoniae (7%) e o Enterococcus faecalis (3%), não havendo diferença estatisticamente significativa nos microrganismos isolados em relação ao tipo de colheita.

Conclusão: As uroculturas provenientes da Urgência de Pediatria Médica representam 1/5 de todas as uroculturas do CHLC, sendo o grupo etário até aos 2 anos de idade (inclusive) o mais representado com 55% das amostras.
Comparando as colheitas efectuadas por bolsa colectora com as efectuadas por algaliação, os resultados são significativamente diferentes tendo as colheitas efectuadas por bolsa colectora mais uroculturas contaminadas e menos positivas. Este facto está de acordo com as recomendações internacionais que desaconselham a colheita de urina para urocultura por bolsa colectora.

Palavras-chave: