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2019

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ASPIRAÇÃO DE CONTEÚDO GÁSTRICO EM PEDIATRIA - CASO CLÍNICO

Ângela Rodrigues, Luísa Oliveira, Teresa Rocha.

Serviço Anestesiologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

-          V encontro de anestesia pediátrica (poster).

Introdução: A aspiração pulmonar de conteúdo gástrico durante o período perioperatório em doentes pediátricos pode estar associada a mortalidade e morbilidade pós-operatória1. Estudos mostram uma frequência de aspiração de 1: 2,632 (0,04%) em crianças submetidas a anestesia geral. Apenas 37,5% dessas crianças desenvolvem sintomas respiratórios em 2h e 20,8% acabam por precisar suporte ventilatório1.

Caso Clínico: Apresentamos o caso de uma criança de 11 anos, saudável, do sexo masculino proposta para circuncisão.

Induziu-se anestesia geral e após perda de reflexos e de ventilação espontânea colocou-se uma máscara laríngea nº 3. Após adaptação ao ventilador, observa-se conteúdo gástrico no tubo aéreo da máscara laríngea. Coloca-se o doente em posição de trendlemburg. Aspira-se a orofaringe e desinsufla-se a máscara laríngea. O doente é intubado oro-traquealmente e com uma sonda aspira-se conteúdo gástrico da traqueia. À auscultação pulmonar encontra-se um mumúrio rude à direita e sibilos. A saturação de O2 com FiO2 a 0,5 desce para 95%. Realiza-se terapêutica broncodilatadora inalatória e administra-se hidrocortisona. É submetido a circuncisão e transferido para a unidade de cuidados intensivos pediátrico com suporte ventilatório. O controlo radiológico mostra aumento do retículo bronco-vascular na base pulmonar direita. Analiticamente sem alterações. É extubado ao fim de 24h com saturação de O2 em ar ambiente de 100% e transferido para a enfermaria. Tem alta clínica às 72h sem sintomatologia sob antibioterapia com amoxicilina e ácido clavulânico.

Discussão e Conclusão: O diagnóstico de pneumonia de aspiração pode ser estabelecido clinicamente com o aparecimento de dificuldade respiratória, presença de conteúdo gástrico na faringe/laringe/traqueia, dessaturação e alteração do padrão radiológico com novo infiltrado. A morbilidade é definida com a necessidade de cuidados intensivos e suporte ventilatório 2. Apesar da baixa frequência de aspiração pulmonar em pediatria, quando ocorre e a criança desenvolve sintomatologia a morbilidade é elevada. Estudos mostraram que 70% dos incidentes de aspiração estavam associados a actos anestésicos em que poderia ter sido realizada uma estratégia diferente de controlo da via aérea. O desenvolvimento de complicações pulmonares relaciona-se com a condição pré-anestésica, em que doentes ASAI têm menos sequelas3. A nossa criança não apresentava factores de risco para aspiração como cirurgia de urgência, jejum incompleto, patologia respiratória ou gastro-intestinal e como tal elaborou-se um plano anestésico adequado para uma cirurgia de ambulatório. Embora tenha desenvolvido uma pneumonia de aspiração com morbilidade não apresentou sequelas pulmonares tendo ficado assintomática em 24h.

Palavras-chave: aspiração de conteúdo gástrico.