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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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UMA VARIANTE RARA DE MILIA

Ana Maria Mateus1, Ana Isabel Cordeiro2, Maria João Paiva Lopes3

1 Serviço de Pediatria, Hospital do Espírito Santo de Évora, EPE;
2 Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central;
3 Serviço de Dermatologia, Hospital de Santo António dos Capuchos, CHLC– EPE, Lisboa, Portugal

14º Congresso Nacional de Pediatria, Porto, 13-15 de Outubro de 2013.

Introdução: Define-se por milia a presença de quistos queratinosos benignos superficiais, traduzidos clinicamente por pápulas assintomáticas com 1 a 4mm de dimensão e coloração branca. A milia pode surgir espontaneamente, maioria dos casos, sem causa aparente (milia primária) ou no contexto de patologia cutânea, trauma ou medicação (milia secundária). A casomilia congénita, com tem predomínio na face, couro cabeludo e região superior do tronco, que ocorre em até cerca de 50% dos recém-nascidos. Embora seja um achado comum em idade pediátrica, sobretudo no período neonatal, existem diversas variantes clínicas e associações sindrómicas raras que impõem um diagnóstico diferencial. O número de lesões, a sua extensão e a eventual associação com outras manifestações clínicas permitem a distinção.
Descrição do caso:
Lactente do sexo feminino com 7 meses de idade. Primeira filha de um casal jovem não consanguíneo, gravidez vigiada, sem intercorrências. Boa evolução estatoponderal e desenvolvimento psicomotor adequado. Observada em consulta por erupção cutânea generalizada e exuberante desde nascimento, caracterizada por pequenas pápulas brancas, aparentemente assintomáticas, algumas com resolução espontânea. Sem história de traumatismo, alterações cutâneas prévias, exposição solar excessiva ou de erupção cutânea idêntica em familiares. À observação eram visíveis múltiplas pápulas brancas com cerca de 1 a 3 mm de diâmetro dispersas por todo o tegumento e couro cabeludo, sem sinais inflamatórios. Não se adotou nenhuma medida terapêutica optando-se, de momento, por uma atitude expectante.
Discussão: Este caso ilustra uma milia eruptiva múltipla (MEM). Caracteriza-se pelo aparecimento espontâneo de milia, mais exuberante em número de lesões e área de distribuição do que seria esperado na forma mais comum primária benigna. Tipicamente, as lesões surgem ao longo de semanas a meses, são assintomáticas e ocorrem com maior frequência na cabeça, região cervical e tronco. Pode ser classificada em três formas: (i) espontânea (sem causa aparente) (ii) familiar de transmissão autossómica dominante ou (iii) associada a genodermatose. Apesar de benigna a MEM pode ser incómoda do ponto de vista cosmético e difícil de tratar. A incisão, expressão, curetagem e electrodisseção são abordagens eficazes mas podem ser inviáveis devido à extensão da erupção e ao desconforto infligido à criança.

Palavras–chave:Milia eruptiva múltipla, criança