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ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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TOMOGRAFIA COMPUTORIZADA CRÂNIO-ENCEFÁLICA NA URGÊNCIA PEDIÁTRICA

Filipa Furtado1, Sofia Bota1, Rosário Perry Câmara1, Patrícia Lopes1, Ema Leal1, Catarina Diamantino1,

1-Equipa Fixa da Urgência De Pediatria Médica, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

- Reunião Clínica da Área de Pediatria Médica, 16/4/2013
- 14º Congresso Nacional de Pediatria, Porto, 3-4/10/2013

INTRODUÇÃO: Nos últimos anos verificou-se um aumento do uso da Tomografia Computorizada (TC) crânio-encefálica (CE) na idade pediátrica, o que se deve, não só à sua maior disponibilidade e acessibilidade, mas também às novas oportunidades de diagnóstico que este meio de imagem veio trazer. Embora o benefício imediato para o doente possa ser substancial, a exposição a doses elevadas de radiação ionizante levanta   grandes  preocupações  pelo   risco   de   doença   oncológica  numa   idade particularmente radiossensivel.
OBJETIVOS: Descrever os motivos e avaliar os critérios para a realização de TC CE numa Urgência de Pediatria (UP) de um hospital terciário.
METODOLOGIA: Estudo descritivo, retrospetivo, baseado na consulta de processos eletrónicos da UP, num período de 18 meses (1 de Janeiro de 2011 a 30 de Junho de 2012). Caracterização de dados demográficos, dos motivos de realização de TC CE, da existência de sinais de alarme na história clínica ou exame físico.
RESULTADOS: No período de estudo foram realizadas 799 TC CE em 779 crianças, o que corresponde a 0,6% dos episódios de urgência. A mediana de idades foi de 9 anos, sendo que 24,4% das crianças tinham idade inferior a 3 anos. Os principais motivos para realização de TC CE foram: cefaleias (36,7%), traumatismo craniano (35,8%) e convulsão (10,5%). Destes, 80,4% tinham sinais de alarme, sendo que 64,8% dos exames não apresentaram alterações relevantes. Nenhuma das TC CE realizadas na ausência de sinais de alarme (19,6%) indentificou lesões intracranianas. Em 22,3% das crianças foram realizadas mais do que uma TC.
Conclusão: Neste estudo a maioria das TC foram consideradas normais. Apesar de a maioria das crianças que realizou TC por traumatismo craniano, cefaleia ou convulsão ter sinais de alarme na história ou exame físico, as TC não revelaram alterações que modificassem a abordagem na urgência. Um número não desprezável de crianças, sem qualquer sinal de alarme, realizou TC CE que não revelou lesão intracraniana. Assim, é essencial ter sempre presente a relação risco /beneficio continuando a auditar a prática na urgência e refletir quer a nível individual quer em equipa, de forma a adotar estratégias para reduzir a exposição das crianças a radiação ionizante.

Palavras-chave: Tomografia, Cefaleias, Convulsões, Traumatismo, Radiação.