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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME NEFRÓTICO DE LESÕES MÍNIMAS: O PESO AO NASCER COMO FACTOR DE RISCO

Inês Simão, Gustavo Queirós, Margarida Abranches

Unidade de Nefrologia, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, Lisboa.

Reunião da Área de Pediatria Médica

Introdução:
A reduzida quantidade de nefrónios nos recém-nascidos de baixo peso é um factor de risco para doença renal futura. A influência de um baixo peso de nascimento (BPN) na evolução e resultados do síndrome nefrótico de lesões mínimas (SNLM) pode ser útil na avaliação prognóstica destes doentes.
Material e métodos:
Estudo retrospectivo das crianças seguidas por SNLM. O diagnóstico foi baseado em dados clínicos (resposta a corticoterapia) ou histológicos (biopsia renal). Incluíram-se no grupo “baixo peso ao nascer” as crianças com PN inferior ao percentil 10 para a idade gestacional.
Resultados:
Foram incluídos 45 pacientes: onze crianças com BPN, mediana de 2250 (850-2735) g; trinta e quatro crianças com peso de nascimento normal e gestações de termo – grupo de controlo: mediana 3300 (2640-4420) g. A idade de início do SNLM foi semelhante nos doentes com BPN e no grupo de controlo - mediana 3.56 ±1.6 years e 3.91 ± 1.8 years, respectivamente.
No primeiro episódio, as crianças com BPN necessitaram de mais dias de terapêutica para atingir remissão: (> 9 dias), 72,7% (8/11) versus 41,2% (14/34) no grupo de controlo (odds ratio (OR) 3,81 (intervalo de confiança – IC - de 95% (0,85-16,94), p 0,091). A ocorrência de recidivas foi mais frequente no grupo BPN (10/11, 90,9%) do que no grupo controlo (21/34, 61,8%), (OR 6,19, p 0,132).
Não se verificou diferença na proporção de doentes corticodependentes: 4/11 (36,4%) no grupo BPN versus 11/34 (32,3%) no grupo controlo (p 1).
No que concerne à corticorresistência no grupo BPN correspondeu a 9,1% (1/11). Uma vez que não houve nenhum doente no grupo controlo não é possível retirar conclusões.
No grupo BPN, verificou-se uma maior proporção de recidivas frequentes (45,5% versus 11,8%, p 0,028). Constatou-se a necessidade de medicação adicional (ciclosporina, ciclofosfamida e levamisol) numa maior proporção de doentes do grupo BPN, sem diferenças estatisticamente significativas (72,7% versus 41,2%, OR 3,81, p 0,091).
Conclusão:
A proporção de crianças com BPN identificadas nesta coorte foi maior do que em séries anteriores. O grupo de crianças com BPN demorou mais dias a atingir a remissão, teve mais recidivas e foi tratado mais frequentemente com ciclosporina ou agentes citotóxicos. Apesar da diferença de dados entre os grupos, a reduzida dimensão da amostra e a sua heterogeneidade não permitem conclusões do ponto de vista estatístico.

Palavras-chave: síndrome nefrótico de lesões mínimas, baixo peso ao nascer