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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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PÚRPURA DE HENOCH-SCHöNLEIN – CASUÍSTICA DE 11 ANOS (2002-2012) NUM SERVIÇO DE PEDIATRIA

Teresa Painho1, Rita Machado1, Ana Isabel Cordeiro1, António Bessa Almeida1

1 – Unidade de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, CHLC, EPE Lisboa

Sessão clínica da Unidade de Pediatria Médica.

Introdução: A Púrpura de Henoch-Schonlein (PHS) é a vasculite sistémica mais frequente na população pediátrica. Trata-se de uma vasculite de pequenos vasos com depósitos predominantemente de IgA. Tem uma incidência aproximada de 10,5-20,4/100000 na infância, com idade média de apresentação de 5 anos. Tem uma incidência centralizada nos meses de Inverno, estando descritos agrupamentos familiares. Pode incluir na sua apresentação manifestações: cutâneas, articulares, gastrointestinais, renais, urogenitais, neurológicas e pulmonares.
Objectivos: Caracterizar os casos de PHS em crianças internadas num Serviço de Pediatria Médica de um hospital terciário e revisão bibliográfica da literatura.
Métodos: Estudo retrospectivo descritivo de crianças internadas com diagnóstico de PHS, num serviço de Pediatria Médica, nos últimos onze anos (2002- 2012).
Resultados: Foram incluídas 83 crianças (60,2% do sexo masculino), com idades compreendidas entre os seis meses e os dezassete anos (média 5,5 anos). Cerca de 90% apresentavam queixas articulares à data do internamento; 48% queixas abdominais e 6% queixas renais, além das manifestações cutâneas. 47% das crianças internadas tinham antecedentes de infecção prévia, maioritariamente infecção respiratória alta. Efectuaram investigação para etiologia infecciosa 36% e para etiologia auto-imune 63%. Realizaram terapêutica com corticóide 54% e em oito casos (9,6%) houve recorrências das manifestações após a alta. Mantiveram seguimento em consulta de Pediatria no nosso hospital 57% das crianças, não tendo sido verificada nenhuma complicação.
Conclusão: O prognósticodestas crianças a longo prazo é excelente com resolução espontânea dos sintomas. No entanto pequena percentagem pode vir a ter sequelas a longo prazo, nomeadamente doença renal crónica. É necessário a criação de um protocolo de seguimento multidisciplinar destas crianças em ambulatório.

Palavras chave: Púrpura de Henoch-Scönlein, púrpura