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2021

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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PIOMIOSITE – CASUÍSTICA DE 10 ANOS DE UM HOSPITAL CENTRAL

Joana Ovídio1, Rosário Perry da Câmara2, Miguel Carvalho1, José Miguel Sousa1, Catarina Gouveia2, Delfin Tavares1

1 Serviço de Ortopedia Infantil, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa
2 Unidade de Infecciologia, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa

Introdução: A piomiosite é uma infeção do sistema músculoesquelético, com a formação de um abcesso no interior do tecido muscular. Inicialmente descrita em climas
tropicais, no entanto tem tido uma incidência crescente nos climas temperados. As crianças afetadas por esta patologia são geralmente saudáveis e um traumatismo prévio surge, neste contexto, como fator predisponente. O diagnóstico e o tratamento precoce são fundamentais e implicam um elevado índice de suspeição.
Métodos: Estudo descritivo retrospetivo, com base na consulta dos processos clínicos. Entre 2002 e 2012 foram diagnosticados 5 casos de piomiosite, 4 dos quais ocorreram no sexo masculino. A média de idades foi de 8.6 anos.
Resultados: Os doentes com diagnóstico de piomiosite recorreram em média 2 vezes ao Serviço de Urgência, antes do diagnóstico, referindo dor e febre, com cerca de 10 dias de evolução. Apenas dois doentes tinham história prévia de traumatismo. Após realização de ecografia e RMN foi possível identificar a região anatómica muscular afetada (obturador interno, obturador externo, médio glúteo, grande glúteo e gémeos). Analiticamente tinham valores de médios de PCR de 75.6 mg/L (<5mg/dL) e VS de 45.5 mm/h (<20mm/h). As hemoculturas foram negativas. Os doentes estiveram internados cerca de 18 dias, em média, tendo realizado antibioticoterapia endovenosa com flucloxacilina associada a gentamicina ou clindamicina. Depois da alta hospitalar, mantiveram antibioticoterapia oral com flucloxacilina durante mais 2 semanas. Pela melhoria clínica e analítica não foi necessário drenagem cirúrgica do abcesso.
Conclusões: Segundo a literatura a piomiosite tem tido um aumento de incidência nos climas temperados. Pode afetar tanto crianças como adultos, sobretudo do sexo masculino, sendo o membro inferior o local mais afetado. Em até 50% dos casos pode haver história de trauma, o que explicaria os 2 doentes que desenvolveram o quadro clínico, após traumatismos minor, durante a prática desportiva. Tal facto, pode ser explicado em parte, quer pela formação do hematoma, quer pela maior perfusão muscular após o traumatismo, o que originaria um maior aporte de ferro, criando condições necessárias para o crescimento bacteriano. O agente mais comum nas piomiosite é o S. Aureus, sendo que em Portugal a baixa frequência de resistência à meticilina permite tratar a maioria destas infeções com flucloxacilina, associada à clindamicina. Nos casos em que a evolução clínica e analítica é favorável pode optar‐se por terapêutica conservadora, sem necessidade de drenagem cirúrgica.
Apesar da sua raridade, a piomiosite deve ser um diagnóstico a ter em conta na presença de sintomas locais associados a um quadro infeccioso, na ausência de outras lesões osteoarticulares.

Palavras-chave: piomiosite, Staphylococcus aureus