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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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DISFUNÇÃO MIOCÁRDICA NO CHOQUE SÉPTICO – UM DESAFIO TERAPÊUTICO

Ana Moutinho1, Marta Oliveira2, Raquel Ferreira2, João Estrada2,Lurdes Ventura2

  1. Serviço de Pediatria, Hospital José Joaquim Fernandes, Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo;
  2. Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital D. Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

XVI Reunião annual de Cuidados Intensivos em Pediatria, Porto, 18 de Janeiro 2013

Objectivo: Apresentação de 2 casos clínicos de disfunção cardíaca no contexto de choque séptico com história e evolução muito semelhante.

Introdução: Os avanços na abordagem à criança gravemente doente melhoraram o tratamento do choque séptico. A disfunção cardíaca tem frequentemente um papel relevante e o seu controlo é fundamental na evolução da doença.

Resumo: Caso 1- 6 anos, rapaz. Caso 2- 4 anos, rapariga. Antecedentes familiares e pessoais irrelevantes. PNV actualizado. Doença com 5-6 dias de evolução caracterizada por: febre, irritabilidade, prostração, mal-estar geral, dor abdominal e vómitos. Sem contexto epidemiológico conhecido. Sem história de picada de carraça. À admissão: sensação de doença grave, exantema macular/maculo-papular, fissuração labial/ queilite, hiperemia da orofaringe, sem exsudado; edema periférico, taquicardia, hipotensão, dificuldade respiratória, ritmo cardíaco de galope; abdómen doloroso, com hepatomegalia discreta. Analiticamente: leucocitose com neutrofilia; alterações da coagulação, velocidade de sedimentação aumentada, disfunção renal e hepática ligeiras, proteína C reactiva aumentada. Por hipotensão refractária a expansão de volume, foi instituído suporte inotrópico alargado com dopamina, dobutamina e noradrenalina em doses crescentes; ventilação invasiva e, em ambos os casos, hidrocortisona. Na sequência de redução dos inotrópicos ocorreu nova descompensação cardíaca grave, com necessidade de apoio da Cardiologia e terapêuticas adicionais. Alta sob anti-hipertensor (caso 1), beta-bloqueante e diurético(s). Mantiveram-se apiréticos. Cumpriram antibioterapia empírica com penicilina e clindamicina (caso 1) e cefotaxime e clindamicina (caso 2), durante 10-19 dias. Estudo etiológico: sem isolamento de agente; serologias inconclusivas; auto-imunidade negativa. Pela apresentação clínica aguda associada a descamação nas extremidades durante a convalescença e TASO e/ou DNAse B aumentadas considerou-se mais provável o diagnóstico de choque tóxico estreptocócico.

Conclusão: O reconhecimento rápido do choque séptico, com instituição de ressuscitação e monitorização hemodinâmica precoce, ecocardiogramas seriados e suporte cardíaco e ventilatório continuado foi essencial para uma evolução clínica favorável.

Palavras-chave: choque séptico, disfunção cardíaca