imagem top

2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

DENGUE. QUANDO A DOENÇA É IMPORTADA

Filipa Furtado1, Ema Leal2, Flora Candeias1, Maria João Brito1

1 - Unidade de Infecciologia Pediatrica, Departamento de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;
2 - Equipa Fixa de Urgência, Departamento de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa;

- 14º Congresso Nacional de Pediatria, Porto, 3-4/10/2013 (Poster com Apresentação)

Introdução
A dengue é provocada pela picada do mosquito do género Aedes, restrito a locais geográficos específicos, não ocorrendo transmissão interpessoal. Em Portugal continental não foram ainda detetados este tipo de vetores sendo uma doença de importação que os clínicos devem saber reconhecer e notificar.

Objectivos
Caracterizar os casos de dengue internados numa Unidade de Infeciologia Pediátrica.

Métodos
Revisão descritiva dos casos de dengue confirmados por polymerase chain reaction (PCR), entre Novembro de 2012 a Maio de 2013.

Resultados
Foram incluidas quatro crianças com idades entre os 3 e 13 anos de idade, todas do sexo feminino e com contexto epidemiológico no regresso recente a Portugal Continental (< 7 dias): Angola (2), Madeira (1) e Brasil (1). A clinica cursou com febre e  cefaleias frontais em todos os casos, exantema maculopapular eritematoso generalizado (2), um dos quais com prurido muito intenso e de difícil alivio, mialgias (2) e dor retroorbitária com fotofobia (1). Em nenhum caso ocorreu sinais de discrasia hemorrágica  ou de dengue grave. Todos tiveram leucopenia (mínimo 1,6×109/L) e dois casos trombocitopenia (mínimo 57×109/L). Os sinais de alerta foram dor abdominal (1), descida súbita da febre até ao 5º dia (1), aumento do hematócrito (1) e vómitos persistentes (1). Identificou-se serotipo 1 nos casos oriundos de Angola e da Madeira não se tendo identificado o serotipo no caso do Brasil. O tratamento foi apenas de suporte com antipirético (paracetamol) em SOS e fluidoterapia ev. A  evolução foi favorável em todos os doentes, com melhoria progressiva, sem intercorrências ou complicações.

Conclusões
Apesar da ausência de casos autóctones de dengue em Portugal continental, o recente surto da doença na Região Autónoma da Madeira e o aumento da taxa de emigração para países tropicais obriga a manter um elevado índice de suspeita em doentes com critérios clínicos e  epidemiológicos sugestivos. A imunidade é serotipo-específica pelo que é fundamental manter as  recomendações sobre cuidados a ter nas viagens para zonas endémicas inclindo a potencial gravidade acrescida no caso de re-infecção.

Palavras-chave: Dengue, Aedes, Doenças Importadas.