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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CONTINUAMOS A CANCELAR CIRURGIAS EM PEDIATRIA?

Paulo Nave

Serviço de Anestesiologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E.

- Sessão de formação no Serviço de Anestesiologia do Hospital de Dona Estefânia. Lisboa, 12/2013 (Apresentação)

Introdução: As complicações respiratórias representam os eventos críticos peri-operatórios mais comuns na população pediátrica e a infeção do trato respiratório superior (ITRS) éum reconhecido fator de risco para as mesmas. A elevada prevalênciadeste tipo de infeção faz com que cerca de 30% das crianças propostas para cirurgia eletiva apresentem sinais ou sintomas compatíveis com a doença, sendo a causa mais comum de adiamento cirúrgico nesta população.[1]
Os objetivos desta revisão são identificar os fatores de risco para ocorrência de complicações respiratórias em crianças com ITRS e estabelecer estratégias peri-operatórias para a prevenção das mesmas.

Metodologia:Realizámos uma pesquisa na PubMed de artigos publicados nos últimos 15 anos nas línguas Inglesa, Portuguesa, Espanhola e Italiana, utilizando as seguintes palavras-chave: “upperrespiratorytractinfection, anesthesia”, “upperrespiratorytractinfection, perioperative”. Identificámos 20 artigos entre os quais estudos observacionais, experimentais e artigos de revisão.

Resultados: A ITRS éum factor de risco para complicações respiratórias no período peri-operatório e as alterações fisiopatológicas que condiciona persistem 4-6 semanas após cessação da sintomatologia. O risco éagravado pela exposição a tabagismopassivo, a intubação traqueal, a patologia respiratória prévia e o uso de desflurano. Foram identificados como atenuantes: a pré-medicação com salbutamol[2], o uso de máscara laríngea e a aplicação de lidocaína na mesma.

Discussão e Conclusões: O adiamento cirúrgico acarreta um importante impacto económico e emocional para as famílias e crianças. Na decisão de adiamento devem pesar, além de critérios clínicos, fatores relacionados com a família e segurança do Anestesista. A melhoria nas condições de segurança e a diminuição da morbilidade condicionaram uma mudança acentuada na prática anestésica. A melhor abordagem anestésica inclui a pré-medicação com salbutamol, a utilização de máscara laríngea e o uso de propofol.[3]

Referências:
1 –Korean J Anesthesiol. 2013; 65(2): 136-141
2 –PediatricAnesthesia 2009; 19: 1064-1069
3 –CurrOpinAnesthesiol. 2012; 25: 333-339