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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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CONSUMO DE ANTIBIÓTICOS EM AMBULATÓRIO, A EXPERIÊNCIA DO HOSPITAL DE DONA ESTEFÂNIA – ESTUDO DAS AMIGDALITES NO SERVIÇO DE URGÊNCIA.

Sílvia Afonso; Catarina Diamantino; Teresa Painho; Andreia Mascarenhas; António Pedro Campos; Cristina Henriques; Ema Leal; Raquel Santos; António Marques.

Equipa Fixa da Urgência de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE, Lisboa o IV Jornadas de Controlo de Infecção em Pediatria e III Jornadas de Controlo de Infecção em Ginecologia e Obstetrícia. 31/10/2013, Hospital de Dona Estefânia, Lisboa

Introdução: A amigdalite aguda (AA) é responsável por 5% das vindas aos serviços de saúde. A maioria é de etiologia vírica, mas o streptococus do grupo A (SGA) é responsável por 37% dos casos. O diagnóstico correto permite diminuir a prescrição de antibióticos (AB). A recente norma da Direção Geral de Saúde (DGS) sobre o diagnóstico e tratamento da amigdalite aguda em idade pediátrica reforça a necessidade de confirmação microbiológica no diagnóstico de amigdalite aguda com o teste diagnóstico antigénico rápido (TDAR) e/ou a cultura da orofaringe antes do início da antibioterapia.

Objectivos: Verificar se no Serviço de Urgência (SU) se usa o TDAR para confirmar suspeita clínica de AA por SGA de forma a diminuir o uso de AB e se se medica amigdalites não streptocócicas com AB.

Material e métodos: Estudo retrospectivo através de consulta de processos informáticos das crianças que recorreram ao SU entre Janeiro e Abril de 2012 e fizeram TDAR. Nos doentes com resultado negativo foram estudados a clínica que motivou o pedido do exame, os exames culturais da orofaringe e a prescrição de AB.

Resultados: De Janeiro a Abril de 2012 foram observadas no SU 30548 crianças. Foram realizados 1520 TDAR (5% das crianças observadas). A média de idades foi de 6,2 anos e 54% crianças eram do sexo masculino. Foi efectuado TDAR em 272 crianças com menos de 3 anos. Dos 1520 TDAR realizados, 358 (23,5%) foram positivos e 1162 (76,5%) negativos; nestes 508 (43,7%) apresentavam sintomas respiratórios sugestivos de infecção viral e 164 (14%) não tinham febre. Apenas 91 (8%) crianças com TDAR negativos foram medicadas com AB. Os antibióticos mais prescritos foram a penicilina e a amoxicilina. Em 20 casos (1,7%) foi realizado cultura da zaragatoa da orofaringe e apenas uma foi positiva.
Conclusão: O TDAR não é utilizado para confirmar a suspeita de diagnóstico de AA por SGA, mas provavelmente para o excluir. Perante um resultado negativo do TDAR, a maior parte das crianças (92%) não foi medicada com antibiótico. A norma da DGS pode contribuir para diminuir a prescrição inadequada de AB.

Palavras chave: amigdalite, streptococus, diagnóstico.