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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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AVC AOS 10 ANOS SUBMETIDO A TROMBECTOMIA – UM CASO CLÍNICO

Marta Goja,1 Ana Paiva Nunes2, Rafael Fidalgo Roque2, Alexandre Amaral e Silva2, Clara Ribeiro3, Isabel Fragata3, Gabriela Pereira4, Raquel Ferreira4, Rita Lopes da Silva5, João Alcântara2

1-Serviço de Medicina Interna 1, Hospital de Santo André, CHLP;
2-Unidade Cerebrovascular, Hospital de S. José, CHLC;
3-Neurorradiologia de Intervenção,Hospital de S. José, CHLC;
4-Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos (UCI), Hospital D. Estefânia, CHLC;
5- Serviço de Neurologia Pediátrica,Hospital D. Estefânia, CHLC

- 7º Congresso Português do AVC, Porto, 31 Jan – 2 Fev 2013

  • Resumo publicado na Revista Sinapse Vol 13, nº1, Maio 2013

Introdução: O AVC isquémico é uma situação rara na idade pediátrica. O diagnóstico é muitas vezes difícil e tardio, impossibilitando uma abordagem precoce. As estratégias de repermeabilização na fase aguda não estão aprovadas nesta faixa etária. Existem contudo descrições de casos isolados com bons resultados, sugerindo um possível benefício também neste grupo de doentes.

Caso Clínico: Menina de 10 anos, previamente saudável, admitida após ativação da Via Verde do AVC por quadro de cefaleia, náuseas, vómitos, alteração da linguagem e hemiparésia direita. Na admissão, 6 horas após o início dos sintomas apresentava-se sonolenta, em mutismo, não cumprindo ordens, desvio conjugado da cabeça e do olhar para a esquerda, hemianópsia homónima direita, parésia facial central direita, hemiparésia direita de predomínio braquial com força grau 0 no membro superior e grau 3 no inferior, pontuando 23 na escala NIHSS. A TC CE revelava hiperdensidade espontânea da artéria cerebral média esquerda (ACME) e sinais precoces de isquemia em menos de 1/3 deste território arterial. Realizou estudo por RM que mostrou restrição à difusão envolvendo parcialmente o território da ACME, não evidente na ponderação FLAIR. A angio-RM foi compatível com uma oclusão de M1 à esquerda. Neste contexto, após discussão clínica e consentimento da mãe, a doente foi submetida a trombectomia mecânica com o dispositivo TREVO, com repermeabilização do segmento M1 e divisão inferior da ACM, mantendo contudo oclusão da divisão superior. Após o procedimento foi transferida para a unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, com NIHSS de 17 na admissão e iniciou antiagregação. O estudo por RM de controlo às 24 horas mostrou lesão isquémica em extensão sobreponível à área de restrição à difusão na RM inicial. A investigação etiológica foi inconclusiva até ao momento, salientando-se ecocardiograma e doppler transcraniano com administração de soro salino agitado sem alterações. À data da alta para o domicílio mantém afasia de predomínio anterior e parésia braquial direita com força muscular grau 4 (NIHSS:5, Rankin:2).

Conclusão: A terapêutica endovascular é uma estratégia utilizada para o tratamento do AVC isquémico agudo do adulto. No nosso Centro esta foi a doente mais nova submetida a trombectomia, tendo-se revelado uma opção eficaz e segura. A terapêutica endovascular deve ser ponderada na população pediátrica em casos selecionados.

Palavras-chave: acidente vascular cerebral, criança, trombectomia