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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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TROMBOSE VENOSA CEREBRAL NA ADOLESCÊNCIA – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO

Madalena Alexandre1; Madalena Pires1; Afonso Sousa1; Ana Teresa Guerra2; Ana Rita Constante3; Mafalda Rebelo4; Ana Castro5; Raquel Maia5; Filipa Marques6; Rita Silva4

1 - Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central
2 - Departamento de Pediatria, Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE
3 - Serviço de Pediatria, Hospital Distrital Caldas da Rainha, Centro Hospitalar do Oeste, EPE
4 - Unidade de Neuropediatria, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central
5 - Unidade de Hematologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central
6 -Unidade de Adolescentes, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia – Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central

- 23º Congresso Nacional de Pediatria, poster.

Introdução / Descrição do Caso: A trombose venosa cerebral (TVC) é uma entidade rara, mais comum no sexo feminino. A presença de trombofilia ou obesidade associada ao uso de contraceção hormonal combinada (CHC) oral em mulheres jovens é o principal fator de risco para TVC. Descreve-se um caso de uma adolescente de 17 anos, sob CHC oral há 1 mês por dismenorreia e quisto ovárico hemorrágico. Diarreia profusa com 6 dias de evolução, vómitos, dor abdominal e perda ponderal de 4kg. Associa-se no 4o dia cefaleia frontal direita e retrocular explosiva, fonofobia, fotofobia e despertar noturno, intensidade 10/10. À admissão, desidratada, exame neurológico sem alterações. Na avaliação analítica destacava-se lesão renal aguda - TFG 58.1mL/min/1.73m2. Angio-TC cranioencefálica com trombose dos seios longitudinal posterior, transverso, sigmóide e veia jugular interna direitos. Pontuava 0 no score de risco para TVC. Iniciou anticoagulação com enoxaparina 1mg/kg/dose 12/12h e suspendeu CHC. Na investigação anticorpo anti-cardiolipina IgG duvidoso e anticoagulante lúpico positivo, mantendo anticoagulação com enoxaparina até reavaliação fora de fase aguda. Pesquisa de antigénio Giardia lamblia positiva nas fezes, medicada com metronidazol oral 5 dias. À reavaliação após 1 mês com marcadores de Síndrome Anticorpo Antifosfolípido negativos pelo que se alterou a anticoagulação para rivaroxabano 20mg/dia.
Comentários / Conclusões: A TVC condiciona uma morbimortalidade importante, pelo que é essencial a sua deteção precoce e início atempado de anticoagulação. É um diagnóstico a considerar em adolescentes sob CHC com cefaleia de novo. Este caso clínico conjugou dois fatores de risco, por um lado a desidratação e por outro a CHC, algo frequente em raparigas adolescentes.

Palavras Chave: trombose venosa cerebral, trombofilia, contraceção hormonal combinada, anticoagulação