1 - Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 - Unidade de Infeciologia, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
- Comunicação oral – 18ªs Jornadas da Sociedade de Infecciologia Pediátrica
- Prémio de 2º lugar - Comunicação Oral
Introdução: A toxoplasmose congénita (TC) é uma doença parasitária que ocorre por transmissão transplacentar de Toxoplasma gondii. Apesar de assintomática em 85% dos recém-nascidos, pode cursar com sequelas graves.
Objetivos: Caracterização clínica de filhos de mães com seroconversão de toxoplasmose durante a gravidez.
Métodos: Estudo observacional, retrospetivo, descritivo de filhos de mães com seroconversão de toxoplasmose na gestação, referenciados à consulta de Infeciologia Pediátrica de um hospital nível III, entre outubro 2022 e agosto 2023.
Resultados: Identificaram-se nove crianças, 5/9 do sexo masculino, idade mediana 4 meses [1 mês-10 meses]. A infeção materna ocorreu no período periconcepcional/1º trimestre (T) em 4/9, no 2ºT em 4/9 e no 3ºT em 1/9. Foram realizadas ecografias fetais seriadas em todas, sem alterações. 6/9 realizaram PCR no líquido amniótico, uma antes das 18 semanas, restantes entre as 18-28 semanas - negativas. 7/9 das mães realizaram terapêutica com espiramicina. Todos os recém-nascidos realizaram serologia de sangue periférico, PCR no sangue, ecografia transfontanelar (ETF), avaliação oftalmológica e auditiva. 7/9 realizaram também inoculação de sangue do recém-nascido e placenta no murganho. Dois casos foram diagnosticados com toxoplasmose congénita. O primeiro: seroconversão 2ºT, viagem ao Senegal, sem tratamento pré-natal; apresenta lesões dos núcleos da base em ETF, sem tradução clínica à data; laboratorialmente, títulos de IgG anti-toxoplasma em cinética descendente. O segundo: seroconversão 3ºT, viagem ao Brasil, mãe medicada com espiramicina; laboratorialmente, IgM positiva após D10 de vida, PCR no sangue e inoculação placenta no murganho positivas; apresenta coriorretinite bilateral e lesões gânglios base na ETF e RM-CE. Este realizou punção lombar com hiperproteinorráquia (155,9mg/dL) e PCR para Toxoplasma gondii negativa, tendo sido medicado com corticoterapia. Ambos se encontram sob terapêutica com pirimetamina, sulfadiazina e folinato de cálcio, sem efeitos adversos graves até ao momento. Nos restantes ainda não foi excluída toxoplasmose congénita, mantendo vigilância clínica e serológica seriada a cada 4-6 semanas.
Conclusões: A TC pode apresentar sequelas graves. Assim, é fundamental a criação e implementação de protocolos com a melhor estratégia de diagnóstico e tratamento pré e pós-natal, no sentido de minimizar essas sequelas.
Palavras-Chave: diagnóstico, gravidez, recém-nascido, seguimento, seroconversão, toxoplasmose congénita