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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME LTP – AQUISIÇÃO “ESPONTÂNEA” DE TOLERÂNCIA

Mila Mikovic1,2; Ana Margarida Romeira1,2; Paula Leiria Pinto1,2,3

1 - Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central;
2 - Centro Clínico Académico de Lisboa;
3 - CHRC, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa

- Poster em congresso nacional - 44ª reunião anual da SPAIC

Introdução: As proteínas de transferência lipídica (LTPs) são panalergénios existentes em várias espécies vegetais, com homologia estrutural e reatividade cruzada elevadas. As rosáceas e os frutos secos são os principais alimentos envolvidos na síndrome LTP (sLTP). A história natural é a persistência da alergia na idade adulta, sendo possível realizar imunoterapia específica sublingual para dessensibilização.
Caso clínico: Doente do sexo feminino, 15 anos, antecedentes pessoais de asma e rinite alérgica (ácaros, gramíneas, gato). Aos 22 meses refere reações com ingestão de pêssego (angioedema e vómitos) e maçã (angioedema), tolerando maçã sem casca. Na investigação fez testes cutâneos por picada (TCP) positivos para pêssego, nectarina, cereja, maçã (casca) e ameixa. Analiticamente, IgE específica pêssego de 16,7 KUA/L. Manteve evicção de pêssego, cereja e ameixa; ingeria maçã sem casca, pêra, morango, amêndoa, marmelo e frutos secos sem queixas. Refere alguns episódios de edema e urticária de contacto com pêssego e ameixa, respetivamente. Nas avaliações posteriores, manteve IgE positivas para pêssego, alperce, amêndoa, maçã e LTP (Pru p 3). Na última avaliação efectuada (13 anos), tinha TCP fracamente positivos para pêssego e negativos para ameixa, com IgE negativa para LTP (Pru p 3) e pêssego. Realizou prova de provocação oral com pêssego que foi negativa. Introduziu, posteriormente, ameixa sem casca e cereja com tolerância.
Discussão: No caso clínico descrito de síndrome de LTP, com manifestações com ingestão de pêssego e maçã e contacto com ameixa, verificou-se aquisição de tolerância na adolescência. Coloca-se a hipótese de a mesma ter sido atingida pela ingestão regular de alimentos contendo LTP (maçã, amêndoa), o que aponta para que evicções muito restritivas possam ser desnecessárias e mesmo contraproducentes.

Palavras Chave: alergia alimentar, síndrome de LTP, alergologia pediátrica