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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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Avaliação com Rinometria Acústica na prova de provocação nasal em doentes atópicos e não atópicos

José Colaço*, Miguel Paiva**, Ines Alpoim Moreira*

* Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Dona Estefânia
** Serviço de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia

Objectivo: Utilizar a prova de provocação nasal (ppn) com o aeroalergénio mais prevalente, o ácaro do pó doméstico Dermatophagoides pteronyssinus (Dpt), em doentes com Rinite Alérgica (RA) persistente não atópica. A utilidade desta prova prende-se com o conceito de “entopia”, ou seja apenas existe produção local nasal de IgE especifica, pelo que os testes cutâneos e sanguíneos (RAST) são negativos neste grupo de doentes.

Material e Métodos: Foi feito um estudo prospectivo comparativo entre 2 grupo de doentes com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos. O Grupo 1 (n=15) tinha RA atópica com sensibilização a aeroalergénio perene (Dpt) documentada por teste cutâneo por picada e IgE específica. O Grupo 2 (n=15) tinha RA não atópica com clínica peranual, com testes cutâneos por picada negativos e IgE específicas para ácaros negativas. Foi aplicado em todos os pacientes uma solução para provocação nasal com Dermatophagoides pteronyssinus. Foram feitas várias avaliações seriadas durante cerca de 2h: 1- avaliação basal; 2-avaliação após administração de solução diluente do extrato; 3- avaliação após aplicação do extrato na concentração de 1/100; 4- avaliação após a aplicação do extrato na concentração de 1/10. A Avaliação clínica implicou a determinação do Score total de sintomas (0-4, máximo de 12) e a realização de Rinometria Acústica, no intervalo de cada uma das provas. A Positividade da prova de provocação nasal foi definida por: 1- rinometria acústica com redução superior a 25% da soma do volume das duas fossas nasais; 2- aumento em 30% do score de sintomas.

Resultados: A média de idades em ambos os grupos foi de 13 anos. No grupo 1 verificou-se que a prova de provocação nasal foi positiva em 73% dos casos, enquanto no grupo 2 a positividade verificou-se em 40% dos casos. Na maioria dos casos a positividade da prova foi considerada pelo aumento em mais de 30% do score de sintomas. O valor basal inicial da soma dos volumes de ambas as fossas nasais foi semelhante em ambos os grupos: 7,8cc no Grupo 1e e 7,7cc no Grupo 2. Não se verificou diferença significativa no volume das fossas nasais após a aplicação da solução de provocação nasal, quando se comparou os grupos 1 e 2. Não se verificou igualmente uma relação entre as queixas de obstrução e uma diminuição no volume nasal calculado pela Rinometria Acústica.

Conclusão: O teste de provocação nasal é um método importante e seguro no diagnóstico de pacientes com RA não atópica. O score de sintomas não apresenta uma relação evidente com os valores da rinometria acústica, quando considerado o volume total de ambas as fossas nasais.