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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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SÍNDROME DE DIFICULDADE RESPIRATÓRIA AGUDA POR SÉPSIS – AS DIFICULDADES NA MINIMIZAÇÃO DE LESÃO PULMONAR

Adriana Costa1,2, Pedro Silva2 , Inês Salva2, João Estrada2

1 - Departamento da Criança e do Adolescente, Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE.
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central.

- XXV Congresso Nacional de Medicina Intensiva Pediátrica, reunião nacional (poster com discussão)

Introdução: A Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda (SDRA) pode ser causada por lesão pulmonar direta ou indireta, como na sépsis (13%). A abordagem desta patologia é complexa e o cumprimento de alvos terapêuticos determina a evolução e prognóstico, com taxa de mortalidade até 27%. O Pediatric Acute Lung Injury Consensus Conference (PALICC) apresenta recomendações para otimizar a sua abordagem.
Descrição: Rapaz de 4 anos, antecedentes de prematuridade (30 semanas; sem doença pulmonar crónica) e síndrome do intestino curto, com cateter venoso central (CVC) de longa duração para nutrição parentérica. Múltiplos internamentos por sépsis associada ao CVC. Internado por sépsis com provável ponto de partida no local de implantação do CVC e medicado empiricamente com cefotaxima e vancomicina. Em D2 iniciou dificuldade respiratória e hipoxemia, com índice SF de 90, motivando transferência para a unidade de cuidados intensivos, onde iniciou ventilação não invasiva, sem melhoria. Foi ventilado invasivamente em estratégia de pulmão aberto, com refratariedade inicial da hipoxemia e dificuldade na obtenção de pressões ventilatórias ótimas. Necessidade de expansão e suporte vasoativo (noradrenalina máx 0,2 mcg/kg/min) entre D1-3 e D6-10. Por hipoxemia refratária, com índice de oxigenação>16, considerada hipótese de infeção respiratória por Pneumocystis jirovecii e medicado com metilprednisolona e trimetroprim/sulfametoxazol, posteriormente excluída por PCR negativa no lavado bronco-alveolar. Tomografia computorizada torácica sugestiva de inflamação pulmonar difusa. Broncofibroscopia sem alterações e lavado broncoalveolar estéril. Isolado Staphylococcus aureus sensível à meticilina em hemocultura; retirado CVC; hemocultura de controlo negativa. Necessidade de sedoanalgesia em doses elevadas e curarização. Alternância de decúbitos com resposta a pronação por períodos de 16 horas/dia. Extubado em D14, com necessidade de redução lenta de sedoanalgesia em contexto de síndrome de privação. Transferido em D16, em ar ambiente, mantendo períodos de dessaturação noturna.
Discussão: A abordagem do SDRA tem evoluído ao longo dos últimos anos, mantendo-se desafiante em idade pediátrica. O PALICC trouxe recomendações importantes a instituir de acordo com índices de oxigenação e alvos terapêuticos que, apesar de tudo, foram muito dificeis de cumprir neste caso pela gravidade da apresentação inicial. Apesar da gravidade e do risco evolutivo associado, a evolução foi favorável.

Palavras-Chave: sépsis, Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda, Staphylococcus aureus.