1 - Especialidade de Pedopsiquiatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa;
- publicação em versão integral
- apresentação em reunião de serviço
Introdução: A adolescência está associada a um risco elevado de perturbações depressivas, sendo o suicídio uma das principais causas de morte nesta faixa etária globalmente. Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (SSRIs) são a única terapêutica farmacológica aprovada internacionalmente neste contexto, apesar das preocupações com o risco de suicídio.
Objetivos: Este estudo procurou identificar a relação entre o uso de antidepressivos e o risco de suicídio numa amostra de adolescentes com sintomas depressivos seguidos numa Unidade de Psiquiatria da Adolescência em Lisboa, Portugal.
Métodos: Foram analisados os processos clínicos de 296 doentes com sintomatologia depressiva em seguimento na consulta de Psiquiatria da Adolescência. Foram obtidas duas amostras demográfica e clinicamente semelhantes, uma exposta a tratamento com SSRIs e outra sem exposição aos fármacos (grupo controlo).
Resultados: Os resultados revelaram um risco de suicídio de 0.006 no grupo exposto aos psicofármacos e 0.025 no grupo controlo, correspondente a um risco relativo de suicídio de 0.248. Esta diferença não foi estatisticamente significativa, apesar do fator de Bayes de 4.57 e do r de Pearson de -0.078.
Conclusões: Os resultados sugerem que os SSRIs não aumentam o risco de tentativa de suicídio entre adolescentes com sintomas depressivos.
Palavras Chave: antidepressivo; depressão; perturbação depressiva; suicídio, tentativa