1 - Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central, E.P.E.
2 - Unidade de Cuidados Intensivos Pediátricos, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central, E.P.E
3 - Unidade de Infeciologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central, E.P.E.
- 18ªs Jornadas de Infeciologia Pediátrica, reunião nacional
Introdução:O Streptococcus pyogenes (SGA) é uma causa frequente de infeções em idade pediátrica.Desde 2022 tem sido reportado um aumento da incidência de infeções invasivas na Europa. O envolvimento do sistema nervoso central (SNC), embora raro, acarreta uma elevada morbimortalidade.
Descrição do caso: Criança de 3 anos, sem antecedentes relevantes, transportada ao serviço de urgência após duas convulsões focais tónico-clónicas esquerdas, que cessaram espontaneamente, em contexto de febre alta com 48 horas de evolução e rinorreia. Durante transporte, nova convulsão refratária à administração de diazepam endovenoso. Na admissão, taquicárdico com alteração do estado de consciência (Escala de Coma de Glasgow 3/15), pupilas isorreativas e desvio ocular conjugado para a direita. Mediante persistência de convulsão, foi administrado levetiracetam e fenobarbital. Considerando estado de consciência, foi ventilado invasivamente e iniciou medidas anti-edema (NaCl 3% endovenoso) e, e pela hipótese de meningoencefalite iniciou ceftriaxone, vancomicina e aciclovir. Evoluiu com hipotensão com hiperlactacidemia com necessidade de noradrenalina. Analiticamente leucocitose 33,450/uL e elevação PCR 135 mg/L e procalcitonina 6,18 ng/mL. Realizou TC-CE que revelou edema cerebral, sem sinais de herniação e ressonância magnética (RM) que evidenciou quadro infecioso meningoencefalítico difuso com lesões no córtex direito e frontal esquerdo. O líquido cefalorraquidiano confirmou a infeção do SNC, com 163 céls/uL, glicorráquia 84.8 mg/dL e proteinorráquia 98.9 mg/dL. O exame cultural e painel herpes foram negativos. Isolado SGA em hemocultura e identificados metapneumovírus e rinovírus no painel de vírus respiratórios. Ajustada antibioterapia ao TSA, com suspensão de vancomicina e aciclovir e início de clindamicina. Durante internamento, constatada hemiparesia esquerda. Em D5 por nova convulsão iniciou fenitoína. Repetida RM em D24, com dois abcessos parietais direitos e frontal esquerdo e regressão do processo infecioso leptomeníngeo. Alterada antibioterapia para cefotaxima, com melhoria imagiológica, após 2 semanas de antibioterapia. À data de alta, sem défices motores com melhoria clínica, laboratorial. Manteve terapêutica antiepilética com levetiracetam e fenitoína.
Discussão: A encefalite em contexto de bacteriemia por SGA é infrequente e associada a fatores de risco como imunodeficiências ou lesões da barreira hematoencefálica. Apresentamos um caso sem fatores de risco conhecido que, apesar da gravidade, evoluiu favoravelmente com recuperação praticamente total dos défices neurológicos.
Palavras Chave: encefalite; doença invasiva bacteriana; Streptococcus grupo A.