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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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Pneumonia complicada em doente complexo

Morais, P.1, Guimarães, J.2, Alexandre, M.1, Castro M., Coelho M.

1 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Centro Hospitalar de Setúbal

- Apresentação na 8ª Reunião da EUSPP/23º Congresso da SPCP – Urgência e Emergência Pediátrica, Évora.

Introdução: A pneumonia adquirida na comunidade é uma das principais causas de admissão hospitalar e elevada morbilidade em idade pediátrica, com uma mortalidade de até 3% se complicada.
Caso Clínico: Criança de 2 anos, filho de mãe VIH positiva, com antecedentes pessoais de neurofibromatose tipo 1, comunicação interauricular sem repercussão hemodinâmica, Malformação Adenomatóide Quística Pulmonar (MAQP) à direita,  laringomalácia grave com necessidade de ariepiglotoplastia ao mês de vida e ventilação não-invasiva nos primeiros meses de vida. Associa-se desnutrição e atraso do desenvolvimento psicomotor. Em contexto de febre, dispneia agravada e dor abdominal, é internado com  diagnóstico de pneumonia a Haemophilus influenzae não tipável complicada com empiema com 9662 leucócitos/uL. A ecografia torácica evidenciou consolidação pulmonar esquerda com derrame loculado e multisseptado no terço superior esquerdo. Admitido na Unidade de Cuidados Intensivos por insuficiência respiratória tipo 1 grave no contexto de pneumonia complicada. Necessidade de ventilação mecânica invasiva 14 dias e colocação de dreno torácico, cumprindo 9 ciclos de fibrinólise com alteplase e 21 dias de ampicilina endovenosa. A D2 de internamento, por agravamento clínico e enfisema subcutâneo, com TAC de tórax a revelar volumoso pneumotórax esquerdo, é colocado dreno torácico durante 15 dias. Apesar da drenagem ativa, com pressão negativa, mantém pneumotórax significativo e paquipleurite. Sob cinesioterapia respiratória, em ventilação espontânea, sem hipoxémia, mantém estabilidade clínica. Discute-se a atitude terapêutica a tomar em doente com malformação pulmonar à direita, malformação laríngea e pneumotórax significativo à esquerda, sem condições anestésicas para intervenções mais invasivas.
Conclusão: A gestão de uma pneumonia complicada num doente complexo requer uma abordagem multidisciplinar e ponderação do risco-benefício da drenagem do pneumotórax e da resolução da paquipleurite.

Palavras Chave: Pneumonia, derrame pleural, doente complexo, neurofibromatose