1 - Faculdade de Motricidade Humana, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.
2 - Departamento de Epidemiologia, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa.
3 - Unidade Funcional de Neonatologia, Área de Pediatria, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
- Revista FPF360. 2023 Abril-Junho;48:66. DOI: 10.13140/RG.2.2.23281.25445
Introdução. A participação no desporto propicia o desenvolvimento de competências motoras, cognitivas e socioemocionais, impactando positivamente na saúde, na qualidade de vida e na participação de crianças e jovens. Para os adolescentes com paralisia cerebral (PC), o envolvimento nestas atividades pode promover interações positivas com pares, com e sem deficiência, em contexto desportivo.
Objetivo. Analisar a participação no desporto de adolescentes com PC na coorte nacional de nascimento 2001-2003, residentes da Área Metropolitana de Lisboa e do Alto Minho, avaliados pelo Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral (PVNPC).
Métodos. O PVNPC desenvolve a vigilância voluntária, ativa e sistemática de casos de PC em Portugal, fazendo o registo na idade de 5-8 anos, seguindo o protocolo da Surveillance of Cerebral Palsy in Europe. Os dados clínicos e funcionais dos adolescentes que responderam à questão sobre a participação no desporto foram analisados descritivamente. Realizou-se o teste de correlação de Pearson para examinar a associação entre o perfil clínico e funcional dos adolescentes e a participação.
Resultados. Dos 274 indivíduos registados na base de dados, foi obtida informação sobre a participação no desporto de 115 adolescentes (47 raparigas; idade média=13,96 anos; DP=1,53). Destes, 51 (44,3%) reportaram participação em atividades desportivas. Identificamos correlação significativa entre a participação no desporto e uma maior funcionalidade motora global (r=.244; p=0.002), motricidade fina (r=.249; p=0.009), nível cognitivo(r=.222; p=0.02) e de expressão (r=.240; p=0.01). Não identificamos correlações significativas com outras variáveis analisadas (deficiência visual e auditiva, cirurgia, epilepsia e dor).
Conclusão. No intuito de potenciar a inclusão e participação de adolescentes com PC, professores de educação física e treinadores devem considerara adaptação das atividades no planeamento e promoção da prática desportiva. Embora não incluídos neste estudo, as atitudes e condicionantes físicas do contexto devem ser monitorizadas, por forma a minimizar barreiras à participação desta população em atividades desportivas.
Palavras Chave: Desporto; adolescentes; paralisia cerebral; vigilância epidemiológica; participação