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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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LEISHMANIOSE VISCERAL NA POPULAÇÃO PEDIÁTRICA – CASUÍSTICA DE UM HOSPITAL TERCIÁRIO

Catarina Miguel Boto1, Ana Margarida Garcia2, Rafael Rocha3, Carla Maio3, Luís Varandas1, Catarina Gouveia2

1 - Unidade de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Lisboa;
2 - Unidade de Infeciologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, Lisboa;
3 - Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

- 18as Jornadas da Sociedade de Infeciologia Pediátrica; Comunicação oral;

Introdução: A Leishmaniose visceral (LV) é uma zoonose causada por protozoários do género Leishmania, cujo reservatório principal é o cão. Quando não tratada, apresenta uma mortalidade superior a 75%. O aumento recente de casos de leishmaniose canina pode constituir, no futuro, um importante problema de saúde pública.
Objetivo: Caracterização dos casos LV admitidos num hospital terciário.
Metodologia: Estudo observacional, retrospetivo e descritivo dos casos de LV admitidos num hospital pediátrico de nível III, entre janeiro de 2010 e junho de 2023. Foram avaliados os aspetos demográficos, epidemiológicos, clínicos, laboratoriais, terapêuticos e seguimento.
Resultados: Foram incluídas 13 crianças com LV, 5/13 (38,5%) do sexo masculino, idade mediana 3 anos (AIQ 0-15), 62% residentes na Região de Lisboa e Vale do Tejo, todos imunocompetentes. 7/13 (54%) crianças tinham contacto com cães no domicílio.
O tempo médio até ao diagnóstico foi de 7,7 dias (1-27 dias). Os sintomas mais frequentes foram: febre (92%), anorexia (62%) e astenia (38%). 11/13 apresentava hepatomegalia e 12/13 esplenomegalia à admissão. Analiticamente, em todos se registaram citopénias, dos quais 62% pancitopenia, e em 85% hipergamaglobulinémia. A serologia por imunofluorescência foi realizada em 12/13 casos, sendo positiva em 11/12 (92%). O mielograma foi efetuado em todos os casos, com visualização direta de amastigotas em 8/13 (62%) e PCR positiva no sangue medular em 7/12 (58%).
Em todas as crianças foi instituída terapêutica com anfotericina B lipossómica (3 mg/Kg D1-D5, D14 e D21). Após início da terapêutica, a resolução mediana da febre foi 2 dias (1-41 dias). 4/13 crianças desenvolveram síndrome hemofagocítico secundário, em apenas uma criança houve necessidade de terapêutica com corticoterapia e imunoglobulina. A duração mediana de internamento foi de 15 dias (8-48 dias). Não foram registados óbitos nem recorrência até ao momento.
Conclusões: Mesmo na ausência de contexto epidemiológico sugestivo, o diagnóstico de LV deve ser considerado na abordagem da criança com febre e
hepatoesplenomegália, dado a sua elevada taxa de mortalidade e potencial aumento de incidência. É essencial a manutenção de uma vigilância epidemiológica ativa e efetiva, no sentido de se poder controlar a transmissão desta doença.

Palavras Chave: Leishmaniose visceral, Leishmania, hepatomegália, esplenomegália