imagem top

2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

LACTICÍNIOS COMO DESENCADEANTE DE ESTOMATITE AFTOSA RECORRENTE EM ADOLESCENTE

Fernando Carvalho1, Mafalda Cardoso1, Sara Prates1, Paula Leiria-Pinto1

1 - Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

- Poster em congresso nacional: 44ª reunião anual da SPAIC

Introdução: A patofisiologia da estomatite aftosa recorrente (EAR) encontra-se ainda por esclarecer. O leite é raramente reportado como desencadeante de lesões, colocando-se a hipótese de um mecanismo de hipersensibilidade.
Caso Clínico: Apresenta-se o caso de um adolescente do sexo masculino, com 14 anos, encaminhado para consulta de Imunoalergologia por suspeita de EAR relacionada com a ingestão de lacticínios. Apresentava história de doença de Raynaud, poliartralgia em estudo e história familiar de pai com psoríase e mãe com EAR, com semelhante relação com alimentação. O adolescente manteve-se assintomático até aos 10 anos de idade, quando inicia episódios semanais de aftas (habitualmente únicas, até quatro lesões síncronas) nas mucosas gengival e lingual, infracentimétricas, com cicatrização completa em uma semana. As lesões surgiam um dia após ingestão de lacticínios, relatando ainda diarreia quatro horas após essa ingestão. Negava febre, lesões genitais, xerostomia e xeroftalmia. O estudo complementar para avaliação de autoimunidade foi negativo. O adolescente iniciou prova terapêutica com evicção de lacticínios durante um mês, com resolução sintomática; a sua reintrodução reproduziu as queixas no dia seguinte. O doente e pais recusaram proposta de realização de testes epicutâneos. Recomendou-se manter evicção de lacticínios.
Discussão: Até ao momento, foram publicados poucos casos de EAR relacionados com alergia alimentar, sendo que um desses casos apresentava também história familiar de mãe com queixas idênticas. Na nossa experiência, tivemos um caso anterior semelhante, em que se comprovou sensibilização ao ovo por teste epicutâneo. O mecanismo fisiopatológico da EAR e sua associação com alimentos continuam por esclarecer, interessando investigar eventual predisposição familiar. Embora não tenha sido possível, teria sido interessante documentar a sensibilização ao leite de vaca.

Palavras Chave: alergia alimentar, laticínios, estomatite aftosa recorrente, alergologia pediátrica