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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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INTERNAMENTO NA UCIN-HDE PARA ALÉM DA IDADE NEONATAL: É INEVITÁVEL PARA O DOENTE COMPLEXO?

Ema Leal1, Maria João Lage1, Daniel Virella1

1 - Unidade Funcional de Neonatologia. Área de Pediatria Médica. Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, E.P.E.

- Sessão Clínica da Área de Pediatria do CHULC, 2023

Objectivo: Descrever o peso do internamento na UCIN-HDE além da idade neonatal corrigida, identificar um modelo explicativo e eventuais meios de reduzi-lo.
Métodos: Foram usadas a base de dados do Estudo Epidemiológico Nacional da Infeção em Unidades Neonatais referente aos internamentos ocorridos entre 2018 e 2022 e os registos eletrónicos SClinico do CHULC.  Considerou-se 44 semanas completas de idade gestacional corrigida à alta como “além da idade neonatal corrigida”. Usaram-se estatística bivariável para identificar factores associados e regressão linear múltipla para identificar modelos explicativos do tempo de internamento e da idade gestacional corrigida à alta.
Resultados: Entre 2018 e 2022 (5 anos) foram internadas 586 crianças na UCIN-HDE, correspondendo a 641 episódios de internamento. A mediana (extremos) do tempo de internamento foi de 16 dias (0 – 200). Cento e quarenta e sete crianças (25,1%) estiveram internadas além da idade neonatal corrigida. A análise de regressão linear múltipla identificou como fatores significativamente associados: idade cronológica (Beta 0,065 [-0,002;0,032]; p=0,080) e idade gestacional (Beta 0,451 [0,427;0,594]; p<0,001) à admissão e ser submetido a intervenção cirúrgica (Beta 0,328 [2,669;4,125]; p<0,001). Os grupos diagnósticos mais frequentes entre os doentes internados (586) foram a patologia congénita gastrointestinal (26%), a patologia neurocirúrgica e neurológica (14%), a patologia congénita urogenital (8,7%), a enterocolite necrosante (7,5%) e a atresia do esófago (6,1%). Entre as crianças internadas além da idade neonatal (147) estão sobrerrepresentados (com aumento percentual de 50%) os doentes com atresia do esófago, síndrome polimalformativo, gastrosquisis, patologia ORL com necessidade de traqueotomia e hérnia diafragmática. A mortalidade foi de 6,3% [IC95% 4,6-8,6] (37) na amostra global e 2% [IC95% 0,7-5,8] (3) na de doentes com permanência pós-neonatal (p=0,016). Dos 37 óbitos registados, 14 ocorreram como complicações da grande prematuridade e 6 como consequência de síndrome polimalformativo.
Conclusões. O internamento em unidades neonatais de referência para cirurgia neonatal e patologia multidisciplinar complexa ultrapassa frequentemente a idade neonatal corrigida. Estes dados deverão ser considerados na organização das unidades neonatais e da instituição e nos protocolos de colaboração entre unidades clínicas e centros hospitalares, para a melhoria da qualidade do apoio ao doente complexo.

Palavras Chave: cirurgia, idade neonatal, gestão hospitalar, neonatologia, tempo de internamento