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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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INFECÇÃO CONGÉNITA POR CMV: ESTUDO RETROSPETIVO DE 10 ANOS EM HOSPITAL TERCIÁRIO

Mafalda Félix Cabral1; Nina Berdianu1; Rita Côrte-Real2; Rita Valssassina3; Catarina Gouveia3

1 - Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central;
2 - Laboratório de Biologia Molecular, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central;
3 - Unidade Infecciologia Pediátrica, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

- 23º Congresso Nacional de Pediatria: comunicação oral

Introdução: A infeção congénita por CMV (cCMV) é a principal causa não genética de surdez neurossensorial.
Objectivos: Pretende-se caracterizar a cCMV e sequelas associadas.
Métodos: Estudo longitudinal retrospetivo observacional de lactentes com cCMV (Agosto/2013 - Maio/2023) num hospital terciário. O método de referência para o diagnóstico foi a detecção molecular, PCR em tempo real, na urina nas primeiras 3 semanas de vida.
Resultados: Identificados 79 lactentes, idade entre 1 e 59 dias (mediana 6; IQR 1-24), 55,7% meninas. Diagnóstico por deteção molecular (urina 93,7%; sangue 6,3%). Características maternas: mediana 31 anos (IQR 27-36), 35,4% primíparas. Infeção pré-natal em 51,9%, terapêutica na gestação em 24,1% (destas 52,6% com filhos sintomáticos). Em relação aos lactentes: 27,8% assintomáticos; 49,4% sintomáticos (9 omissos) e 59,5% com doença, grave (41,8%), moderada (7,6%) e ligeira (11,4%). Os sintomas mais frequentes foram icterícia (15,2%) e alterações neurológicas (13,9%), com aumento das transaminases (16,5%) e anemia (15,2%). Alterações na ecografia transfontanelar em 54,4% e na RM-CE em 59,1%. Terapêutica com valganciclovir em 68,4% (64,8% sintomáticos). Sequelas em 26,6%: surdez (12,7%) e alterações do DPM (20,3%). Sem diferença significativa nas sequelas nos doentes sob valganciclovir (29,6%) e não tratados (21,7%). Contudo, 75% das sequelas nos tratados ocorreram na doença grave, condicionando a avaliação. Avaliação adequada em Oftalmologia (91,2%) e sequencial em ORL (88,6%) e Desenvolvimento (49,4%).
Conclusões: A nossa coorte inclui uma percentagem elevada de cCMV sintomática, sob terapêutica, pela referenciação e inexistência de rastreio universal. Estes dados condicionam o diagnóstico maioritário dos casos sintomáticos, com implicação no prognóstico e sequelas.

Palavras Chave: citomegalovírus, infecção congénita por CMV, sequelas de CMV congénito