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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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INFEÇÃO PROFUNDA DOS TECIDOS MOLES POR STREPTOCOCCUS DO GRUPO A, SEM FASCEÍTE – A PROPÓSITO DE UMA SÉRIE DE CASOS

Celina Couto1,2; Ana Pereira Lemos1; Lorena Stella1; Carolina Sobral3; Margarida Pinto4; José Melo Cristino5; Ana Friães5; Mário Ramirez5; Catarina Gouveia1

1 - Unidade de Infeciologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
2 - Serviço de Pediatria, Hospital de Santarém, Santarém.
3 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
4 - Laboratório de Microbiologia, Serviço de Patologia Clínica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
5 - Instituto de Microbiologia, Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa.

- Reunião nacional: Poster com discussão no 23º Congresso Nacional de Pediatria

Introdução: A doença invasiva por Streptococcus do Grupo A (SGA), sobretudo a pneumonia com empiema, tem aumentado na Europa, não tendo sido descrito aumento das complicações supurativas. Descrevemos 3 casos de miosite e supuração persistente do tecido subcutâneo, com necessidade de terapêutica prolongada.
Descrição dos casos: Uma criança de 6 anos, sexo masculino, sem história de varicela, com extensas alterações fleimonosas da parede torácica, miosite e abcesso subcutâneo, que evoluiu com deiscência da sutura cirúrgica e drenagem abundante de pus. Os outros 2 casos em crianças de 2 e 11 anos, sexo feminino, em contexto de varicela com celulite e miosite respetivamente da coxa esquerda e região dorsal, sem coleção identificável por exame de imagem. Em todos foi identificado SGA no pus (dois por cultura e um por PCR). No primeiro caso foi possível estudo molecular, sendo emm1, sub-linhagem M1UK. Em comum, apesar de imagiologicamente não serem identificadas coleções drenáveis, nem sinais de fasceíte, verificou-se drenagem abundante de conteúdo purulento durante mais de 4 semanas, com necessidade de drenagens cirúrgicas. Foram medicados com penicilina e clindamicina, seguida de amoxicilina oral. O primeiro caso cumpriu 31 dias de terapêutica no total e os outros dois mantêm-se sob antibioterapia, a realizar a sexta semana de terapêutica.
Discussão: Apesar das recomendações sugerirem um total de 7-10 dias de terapêutica antibiótica nas infeções da pele e tecidos moles sem fasceíte, nestes casos foi necessário desbridamento e antibioterapia prolongada, o que poderá estar relacionado com o aumento de estirpes emm1, mais virulentas, em especial no contexto de varicela.

Palavras Chave: Doença invasiva, infeções dos tecidos moles, Streptococcus do Grupo A, Streptococcus pyogenes