1 - Serviço de Imuno-hemoterapia, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José.
2 - Laboratório de Imuno-hematologia, Centro do Sangue e Transplantação de Lisboa, Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Lisboa, Portugal.
- 14ª Reunião Anual do Sistema Português de Hemovigilância, Instituto Português do Sangue e da Transplantação, em Lisboa, Portugal.
- Comunicação Oral
- Prémio de Melhor Abstract para Comunicação Oral
Introdução: A aloimunização é uma complicação frequente da transfusão dos doentes drepanocíticos. Após evanescência dos aloanticorpos, a resposta anamnéstica do sistema imunológico pode causar reações transfusionais hemolíticas tardias (RTHT), frequentemente confundidas com a hemólise inerente à drepanocitose. O timing mais adequado para o rastreio de aloanticorpos é 1-3 meses após cada episódio transfusional.
Objetivos: O presente estudo pretende analisar a evanescência de aloanticorpos numa população de doentes drepanocíticos do Hospital Dona Estefânia (HDE), de modo a reforçar a importância da hemovigilância das RTHT.
Metodologia: Revisão dos registos transfusionais de 25 doentes drepanocíticos, que realizaram 3-10 transfusões de eritrócitos no HDE (última desde 2018). Análise dos aloanticorpos identificados e da sua evanescência.
Resultados: Foram realizadas 131 transfusões de eritrócitos e 194 Pesquisas de Anticorpos Irregulares (PAI). 11,3% das PAI foram realizadas no período ideal. Dezasseis doentes haviam sido transfundidos noutros hospitais. Cinco doentes (20%) apresentavam aloanticorpos. Três doentes apresentavam aloanticorpos evanescentes (anti-S, anti-C e provável anti-Ce). Todos os doentes com aloanticorpos contra antigénios do Sistema Rh apresentavam um genótipo RhCE variante, discrepante do fenótipo.
Conclusões: Para prevenir as RTHT, todos os serviços de Imuno-hemoterapia devem manter um registo atualizado do estudo imuno-hematológico dos doentes drepanocíticos. Também é necessário elaborar um registo nacional centralizado, para prevenir as RTHT noutros hospitais. São necessários mais estudos para definir a incidência e significado clínico das variantes Rh e as indicações para o estudo de genotipagem eritrocitária. É necessário promover brigadas étnicas, para aumentar a disponibilidade de eritrócitos compatíveis para estes doentes.
Palavras Chave: Aloimunização; Drepanocitose; Hemovigilância Ativa; Reação Transfusional Hemolítica.