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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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HEMOVIGILÂNCIA NA ALOIMUNIZAÇÃO DE DOENTES COM DREPANOCITOSE

Maria Teresa Vieira1, Beatriz Ferro1, Raquel Dionísio1, Carina Pisco1, Maria José Costa1, Sandra Tique1, Teresa Francisco1, Carina Marques1, Inês Moser2, Maria do Castelo Romeiras1

1 - Serviço de Imuno-hemoterapia, Hospital Dona Estefânia, Unidade Local de Saúde de São José.
2 - Laboratório de Imuno-hematologia, Centro do Sangue e Transplantação de Lisboa, Instituto Português do Sangue e da Transplantação, Lisboa, Portugal.

- 14ª Reunião Anual do Sistema Português de Hemovigilância, Instituto Português do Sangue e da Transplantação, em Lisboa, Portugal.
- Comunicação Oral
- Prémio de Melhor Abstract para Comunicação Oral

Introdução: A aloimunização é uma complicação frequente da transfusão dos doentes drepanocíticos. Após evanescência dos aloanticorpos, a resposta anamnéstica do sistema imunológico pode causar reações transfusionais hemolíticas tardias (RTHT), frequentemente confundidas com a hemólise inerente à drepanocitose. O timing mais adequado para o rastreio de aloanticorpos é 1-3 meses após cada episódio transfusional.
Objetivos: O presente estudo pretende analisar a evanescência de aloanticorpos numa população de doentes drepanocíticos do Hospital Dona Estefânia (HDE), de modo a reforçar a importância da hemovigilância das RTHT.
Metodologia: Revisão dos registos transfusionais de 25 doentes drepanocíticos, que realizaram 3-10 transfusões de eritrócitos no HDE (última desde 2018). Análise dos aloanticorpos identificados e da sua evanescência.
Resultados: Foram realizadas 131 transfusões de eritrócitos e 194 Pesquisas de Anticorpos Irregulares (PAI). 11,3% das PAI foram realizadas no período ideal. Dezasseis doentes haviam sido transfundidos noutros hospitais. Cinco doentes (20%) apresentavam aloanticorpos. Três doentes apresentavam aloanticorpos evanescentes (anti-S, anti-C e provável anti-Ce). Todos os doentes com aloanticorpos contra antigénios do Sistema Rh apresentavam um genótipo RhCE variante, discrepante do fenótipo.
Conclusões: Para prevenir as RTHT, todos os serviços de Imuno-hemoterapia devem manter um registo atualizado do estudo imuno-hematológico dos doentes drepanocíticos. Também é necessário elaborar um registo nacional centralizado, para prevenir as RTHT noutros hospitais. São necessários mais estudos para definir a incidência e significado clínico das variantes Rh e as indicações para o estudo de genotipagem eritrocitária. É necessário promover brigadas étnicas, para aumentar a disponibilidade de eritrócitos compatíveis para estes doentes. 

Palavras Chave: Aloimunização; Drepanocitose; Hemovigilância Ativa; Reação Transfusional Hemolítica.