1 - Licenciatura de Dietética e Nutrição, Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa
2 - Unidade Funcional de Neonatologia, Área de Pediatria, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
- XXV Congresso da APNEP. Porto, 18/04/2023 (Poster)
Introdução: Entre as intervenções dietéticas precoces para prevenir ou retardar o desenvolvimento de alergia, incluem-se a utilização de fórmulas parcialmente e extensamente hidrolisadas, em crianças privadas de amamentação. Nestas fórmulas, a fonte de proteína e método e grau de hidrólise da proteína são fatores importantes para o papel preventivo na alergia. Teoricamente, a diminuição do peso molecular diminuiria a alergenicidade da proteína, assumindo-se que a exposição de oligopéptidos ao tecido linfóide do intestino induz a tolerância oral sem provocar sensibilização. No entanto, a eficácia das fórmulas hidrolisadas na prevenção da alergia é atualmente bastante controversa na comunidade científica.
Objetivo: Rever a evidência mais recente sobre a eficácia das fórmulas parcialmente e extensamente hidrolisadas na prevenção da doença alérgica - eczema, alergia alimentar, asma e rinite alérgica.
Métodos: Revisão narrativa da literatura, recorrendo às bases bibliográficas: PubMed, Cochrane Database of Systematic Reviews e Scielo. Foi dada especial atenção às recomendaçõesde sociedades científicas, assim como opinião de peritos reconhecidos.
Resultados: Destaca-se o ensaio multicêntrico independente GINI (German Infant Nutritional Intervention), baseado numa coorte de nascimento recrutada em 1995-1998. Na prevenção de alergia foram testadas 4 fórmulas: parcialmente e extensamente hidrolisadas de seroproteina (vulgo HA), formula extensamente hidrolisada de caseína, e comparadas com fórmula com proteína intacta. Os resultados parciais deste estudo, publicados ao longo de anos, orientaram a prática clínica e a fabricação das fórmulas hidrolisadas concebidas para prevenção de alergia. A aplicação dos resultados do GINI à prática clínica tem sido recentemente criticada, dado que as fórmulas testadas há 24-27 anos não correspondem às atuais, as quais já contêm componentes com propriedades antialérgicas, como os oligossacáridos estruturalmente idênticos aos do leite humano (HMOs).
Conclusão: Apesar de a segurança nutricional das fórmulas hidrolisadas ter sido demonstrada, revisões sistemáticas recentes e posições de sociedades científicas e opinião de peritos consideram que atualmente não há evidência suficiente para a recomendação a favor ou contra do uso de fórmulas hidrolisadas na prevenção da alergia, mesmo na presença de predisposição familiar.
Palavras-Chave: prevenção de alergia, fórmulas hidrolisadas