1 - Pediatria, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefania, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Unidade de Infecciologia Pediátrica, Área de Pediatria Médica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, Lisboa
- e-poster viewing apresentado numa reunião nacional
Introdução: Em doentes que se apresentam com um quadro febril, retornados de áreas onde a malária é endémica, é uma prioridade excluir esta infecção. O diagnóstico diferencial com arboviroses pode ser difícil, pelas manifestações clínicas semelhantes e distribuição geográfica dos vectores sobreponível.
Descrição do caso: Rapariga com 8 anos de idade apresentou-se com febre (38,5ºC) com 5 dias de evolução, acompanhada de vómitos, dor abdominal, cefaleia e mialgias. Tinha retornado da Nigéria (Lagos) há 10 dias, onde permaneceu durante 1 mês a visitar familiares. À admissão tinha mau estado geral, escala de coma de Glasgow de 15, taquicardia (114 bpm), taquipneia (42 cpm), icterícia e hepatoesplenomegalia (127 mm). Sem rash ou sinais meníngeos. Analiticamente com trombocitopenia (22000 /uL), elevação da PCR (120 mg/L), elevação enzimas hepáticas (AST 218 U/L, ALT 166 U/L) e hiperbilirrubinemia (BT 6,7 mg/dL), sem anemia ou leucopenia. O esfregaço de sangue periférico revelou trofozoítos de Plasmodium falciparum (parasitemia baixa, 1.2%). Iniciou arteméter-lumefantrina. Em D2 de internamento, apesar de parasitémia negativa, mantinha febre e agravou clinicamente com hipotensão (PAM 45-50 mmHg), lesão renal aguda, hiperlactacidemia, prostração, rigidez da nuca e sinais de extravasamento vascular (hipoalbuminemia, derrame pleural bilateral e ascite). Verificou-se agravamento da trombocitopenia e anemia (Hb 8 g/dL, 23%), sem diátese hemorrágica. Iniciou empiricamente ceftrixone e doxiciclina. Ficou apirética em D5 e teve alta em D11. A PCR no sangue foi positiva para o vírus Dengue e foi feito o diagnóstico de coinfecção malária e dengue.
Discussão: Na presença de contexto epidemiológico, o diagnóstico de infecção por Dengue deve ser considerado em doentes com malária, se, apesar de boa resposta parasitológica, têm febre persistente, particularmente na presença de trombocitopenia e extravasamento vascular. Em apresentações ou evoluções atípicas, um elevado índice de suspeição para coinfecção de doenças tropicais importadas permite o diagnóstico mais precoce e abordagem e monitorização apropriadas.
Palavras Chave: Dengue, Malária, Viajante