imagem top

2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

CHULC LOGOlogo HDElogo anuario

ANAFILAXIA AO QINGKAILING

David Possidónio, Sónia Rosa, Paula Leiria Pinto.

Serviço de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

XXXIV Reunião Anual da SPAIC. Vale de Lobo, Outubro de 2013. (Poster)

Introdução: A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é utilizada há milhares de anos e considerada, pelos seus praticantes, eficaz, de baixo custo e com bom perfil de segurança. A imigração trouxe à prática do médico Ocidental novos desafios, que requerem um ultrapassar de barreiras culturais e linguísticas.

Caso clínico: Doente de 15 anos, sexo masculino, natural da China, saudável e sem antecedentes pessoais de doença alérgica, recorreu ao Serviço de Urgência hospitalar por quadro de urticária, angioedema e dor abdominal, 45 minutos após ingestão de 2 fármacos de MTC, por queixas de coriza com 3 dias de evolução. A embalagem de ambos os fármacos encontrava-se em Mandarim Padrão (MP), desconhecendo-se a sua composição. O doente já os tinha tomado anteriormente sem qualquer reação.
À entrada no SU encontrava-se prostrado, com urticária generalizada e angioedema da face, acompanhados de queixas de tontura, náuseas e dor abdominal. Estava hipotenso e bradicárdico, não apresentando hipoxémia, sinais de dificuldade respiratória, vómitos ou diarreia. Foi submetido a terapêutica com adrenalina, clemastina e prednisolona, com boa resposta e normalização dos parâmetros vitais. Ficou em observação, tendo alta 18 horas após internamento, totalmente assintomático e com indicação para evicção dos fármacos suspeitos. Foi prescrita caneta para auto-administração de adrenalina e orientado para consulta urgente de Imunoalergologia (IA). Na história clínica o único dado relevante consistiu na ingestão dos fármacos de MTC. Foram realizados testes cutâneos por picada com os fármacos diluídos em soro fisiológico, que foram positivos para um deles. Excluiu-se reação irritativa testando 5 controlos saudáveis, que reagiram negativamente. Perante um rótulo totalmente em MP foi difícil chegar à composição do fármaco. Com a ajuda do doente percebeu-se que se tratava de Qingkailing, composto por extratos de várias ervas, corno de búfalo asiático, bílis de porco e nácar.
Ficou com indicação para evicção absoluta do fármaco em causa e de compostos semelhantes, mantendo seguimento em consulta de IA.

Conclusão: Estão descritos na literatura vários casos de anafilaxia, alguns dos quais fatais, relacionados com este fármaco de MTC. É um produto de venda livre, composto por um grande número de ingredientes, em quantidades desconhecidas e com um rótulo ilegível, considerado seguro pelos seus consumidores. São necessários estudos controlados que avaliem o potencial alergénico destes produtos de MTC.

Palavras-chave: Anafilaxia, medicina tradicional chinesa