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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ESCOLIOSE EM IDADE PEDIÁTRICA – ANÁLISE DA ATIVIDADE DE UMA CONSULTA ESPECIALIZADA

Fabiana Rodrigues1, IFE Medicina Física e de Reabilitação (MFR); Brandon Allan2, IFE MFR; Mafalda Pires3, médica Fisiatra, Assistente Hospitalar Graduada;Rita Cardoso Francisco3, médica Fisiatra, Assistente Hospitalar Graduada; Sandra Claro3, médica Fisiatra, Assistente Hospitalar Graduada; Ana Soudo3, médica Fisiatra, Assistente Hospitalar Graduada.

1 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação , Hospital Dr. Nélio Mendonça - SESARAM
2 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, Hospital de Cascais
3 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa

- Reunião Nacional: Comunicação oral - Reunião anual da Secção de Reabilitação Pediátrica da Sociedade Portuguesa de MFR, 2023

Introdução: A escoliose é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, podendo ser funcional ou estrutural, sendo esta última subdividida em congénita, idiopática, adquirida ou secundária a doença neuromuscular ou do tecido conjuntivo. A forma idiopática é a mais comum, representando cerca de 80% dos casos, ocorrendo em crianças saudáveis e progredindo durante o período de crescimento.
Objectivo: Este estudo visa caracterizar uma amostra de doentes observados em consulta de coluna vertebral de um hospital pediátrico em Portugal, durante o seu primeiro ano de funcionamento. Foi realizada uma análise retrospectiva dos processos clínicos, incluindo apenas crianças diagnosticadas com escoliose, abrangendo dados demográficos, tipo de escoliose, Ângulo de Cobb (AC) e tratamentos.
Resultados: Dos 401 doentes observados, com idades entre 15 meses e 18 anos (mediana de 13,4 anos), 74,9% eram do sexo feminino. A escoliose foi diagnosticada em 75,6% dos casos, sendo 24,1% funcional e 75,9% estrutural, com 75,6% destes sendo idiopáticos. Dentro da escoliose idiopática, os subtipos do adolescente predominaram (65,0%). A distribuição topográfica foi de 51,1% torácicas, 29,3% toraco-lombares e 19,5% lombares. Quanto à gravidade, 49,4% eram moderadas, 25,3% ligeiras, e 7,5% muito severas. O tratamento conservador mais comum envolveu fisioterapia (40,2%) e ortetização de tronco (65,5%), com prevalência de 52,6% para o tipo Boston. Além disso, 44,3% das crianças com escoliose idiopática praticavam atividade física regularmente.
Conclusão:Analisando os dados, observa-se uma prevalência elevada de escoliose idiopática, especialmente do tipo adolescente, e um predomínio de doentes do sexo feminino. Quanto ao tratamento, destaca-se o uso frequente de ortóteses de tronco, contrariando algumas recomendações. Estas descobertas podem orientar futuras intervenções visando melhorar a qualidade do cuidado em Portugal.

Palavras Chave: Escoliose, Pediatria