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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ELASTOGRAFIA NA HEPATITE AUTOIMUNE

Joana Faustino1, Afonso Sousa1, Cristina Gonçalves2, Sara Nóbrega2, Marta Valente Pinto3, Eugénia Soares4, Isabel Afonso2

1 - Departamento de Pediatria, Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Centra
2 - Unidade de Gastrenterologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central
3 - Unidade de Imunodeficiências, Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central
4 - Departamento de Imagiologia, Hospital de Dona Estefânia; Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central

- Apresentação sobre a forma de poster: XXXV REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE GASTRENTEROLOGIA, HEPATOLOGIA E NUTRIÇÃO PEDIÁTRICA

Introdução: A hepatite auto-imune (HAI) caracteriza-se por histologia hepática típica, auto-anticorpos circulantes e hipergamaglobulinémia, na ausência de outro diagnóstico. A progressão fibrótica com consequente hipertensão portal deve ser monitorizada por técnicas não invasivas de forma a prever e prevenir complicações da doença. O ARFI (Accoustic Radiation Force Impulse) é uma técnica de elastografia realizada no momento da realização da ecografia, permitindo a vigilância da fibrose a longo prazo.
Objetivos: Avaliar a correlação entre a variação das transaminases, IgG e títulos de anticorpos no início de terapêutica (T1) e a fibrose na primeira elastografia por ARFI (T2) realizada em doentes com HAI.
Métodos: Recolha de dados demográficos, clínicos, ecográficos e de elastografia dos processos clínicos de doentes com HAI em seguimento num centro terciário no ano de 2022. Análises estatística descritiva e analítica. Dados analisados com recurso ao STATAÒ.
Resultados: Dos 27 doentes com HAI em seguimento, 45% (n=12) realizaram elastografia. Destes, 75% eram do sexo feminino, média de idades de 12,9 ± 4,9 anos; 95% HAI tipo 1. A apresentação clínica mais frequente foi hepatite aguda em 58,3% (n=7). Na avaliação histológica, identificou-se infiltrado inflamatório em 100%, hepatite de interface em 83,3%, rosetas em 66,7%. A grande maioria dos doentes com fibrose (F0:8% F1: 17%; F2: 17%; F3:42%; F4:17%). A primeira elastografia realizada em média aos 29,2 ± 31 meses após o diagnóstico registou uma velocidade média de 1,8 ± 1,1-3,1 cm/seg, quartil 25 1,48 cm/seg, percentil 50 1,61 cm/seg e percentil 75 1,9 cm/seg. Comparando os valores laboratoriais entre T1 e T2, registou-se uma diminuição das AST (mediana em T1 523 U/L vs T2 91 U/L), ALT (mediana em T1 567 U/L vs T2 87 U/L) e IgG (T1 foi 27,8 U/mL e em T2 16,7 U/mL), havendo uma correlação da AST e ALT nos dois momentos (p<0,001). ANA positivos em 91,7% (n=11) em T1 e em 91% (n=10) em T2. Os valores de AST, ALT, IgG e o título de ANA em T1 e T2, bem como as alterações na biópsia não se correlacionaram com valores mais elevados de velocidade na elastografia.
Conclusões: Na amostra estudada, a maioria dos doentes tinham valores aumentados na elastografia, não se correlacionando com valores laboratoriais ou alterações histológicas ao diagnóstico. Como limitação apresentamos o número reduzido de doentes e o curto intervalo de tempo avaliado.

Palavras Chave:  Elastografia; Fibrose; Hepatite auto-imune