1 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, Hospital de Cascais
2 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação , Hospital Dr. Nélio Mendonça - SESARAM
3 - Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
- Reunião Nacional: Comunicação oral - Reunião anual da Secção de Reabilitação Pediátrica da Sociedade Portuguesa de MFR, 2023 - Prémio de Menção Honrosa
Introdução: A escoliose idiopática (EI) é uma deformidade tridimensional da coluna vertebral. O subtipo mais comum é a escoliose idiopática do adolescente (EIA). O tratamento conservador com ortóteses de tronco tem como objetivo parar ou reduzir a progressão da curva durante a puberdade, prevenir disfunção respiratória, prevenir ou tratar síndromes dolorosas vertebrais e melhorar o aspeto estético através de correção postural.
Objetivo: Avaliar a eficácia da ortetização numa amostra de pacientes com escoliose idiopática do adolescente.
Métodos: Estudo de coorte retrospectivo para avaliar a eficácia das ortóteses de tronco (Boston e Providence) no tratamento da EIA usando os critérios estandardizados para estudos sobre ortetização na EIA da Scoliosis Research Society Committee on Bracing and Nonoperative Management de 2005 (SRS-CBNM 2005): Os critérios de inclusão são: idade ≥ 10 anos no início da utilização da ortótese; curva inicial de 25 a 40 graus; sinal de Risser 0 a 2; no sexo feminino pré-menarca ou menos de 1 ano após a menarca; sem tratamento prévio. Os critérios de avaliação de eficácia da SRS: a percentagem de pacientes com progressão da curva de 5 graus ou menos e 6 graus ou mais ao atingir a maturidade esquelética; a percentagem de pacientes cuja curva progrediu além de 45 graus; a percentagem de pacientes que tiveram cirurgia recomendada ou realizada e um mínimo de 2 anos de acompanhamento além da maturidade esquelética naqueles pacientes que se pensava terem sido tratados com sucesso. No nosso estudo foi utilizado um seguimento mínimo de 1 ano após a maturidade esquelética para aumentar a amostra. Foram utilizadas ortóteses tipo Boston (duração, 22 horas/dia) e tipo Providence (duração, 8 a 10 horas/noite). Todos os pacientes foram incluídos independentemente da adesão ao tratamento, como preconizado pela SRS-CBNM 2005.
Resultados: Apenas 10 dos 114 pacientes atenderam aos critérios de inclusão SRS-CBNM 2005: 9 do sexo feminino e 1 do sexo masculino. No momento da ortetização, a média de idade foi de 12,2 anos (10-14); o Risser médio foi de 1; o ângulo de Cobb médio da curva primária foi de 34,25 graus; relativamente à gravidade, 60% apresentava escoliose moderada a grave e 40% escoliose grave; quanto à classificação da curva, 4 eram apenas torácicas, 4 em dupla curvatura, 1 tóraco-lombar e 1 lombar; 60% dos pacientes utilizaram Boston e 40% Providence. Em todos os pacientes (100%) não houve progressão da curva (≤5 graus), resultando em 0 pacientes com progressão ≥6 graus; 0% progrediu além dos 45 graus; Nenhum paciente foi submetido a intervenção cirúrgica. Em 50% dos casos houve melhoria da curva, 66,7% no grupo Boston e 25% no grupo Providence. No geral, a diferença média da curva inicial com a final foi de -2,39 graus (-1,83 no grupo Providence e -2,67 no grupo Boston). A duração média de utilização das ortóteses foi de 29,9 meses (25,5 no grupo Providence e 32,8 no grupo Boston). 60% dos pacientes praticavam atividade física regularmente além da praticada em contexto escolar e 40% realizavam sessões de fisioterapia frequentemente, sem diferença significativa entre os grupos. O grupo Boston não realizou suplementação com vitamina D (colecalciferol 0,5mg/ml, solução oral, 1 gota/dia), enquanto o grupo Providence o fez em 75% dos pacientes.
Conclusões: Usando os critérios de inclusão e avaliação da SRS-CBNM 2005, a ortetização nestes pacientes foi 100% eficaz. A ortótese tipo Boston foi ligeiramente mais eficaz na melhoria da curva, mas com necessidade de maior tempo de tratamento. É necessária uma amostra maior e um estudo multicêntrico e randomizado para validar as conclusões.
Palavras Chave: Escoliose, Pediatria, tratamento conservador