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2024

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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EATING HABITS DURING PREGNANCY OF WOMEN GIVING BIRTH VERY PREMATURELY: AN EXPLORATORY ANALYSIS

Beatriz Teixeira1,2,3, Manuela Cardoso4, Cláudia Camila Dias5,6, Luís Pereira-da-Silva7,8,9, Diana e Silva1,10-12

1 - Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, Porto, Portugal
2 - EPIUnit - Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto
3 - Laboratório para a Investigação Integrativa e Translacional em Saúde Populacional (ITR)
4 - Unidade de Nutrição da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisbon, Portugal
5 - Knowledge Management Unit and Department of Community Medicine, Information and Health Decision Sciences (MEDCIDS), Porto, Portugal.
6 - CINTESIS @RISE - Health Research Network - From the Lab to the Community, Faculty of Medicine of the University of Porto (FMUP), Porto, Portugal.
7 - Medicine of Woman, Childhood and Adolescence, NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas, NMS|FCM, Universidade Nova de Lisboa, Lisbon, Portugal
8 - CHRC, NOVA Medical School | Faculdade de Ciências Médicas, NMS|FCM, Universidade Nova de Lisboa, Lisbon, Portugal
9 - NICU, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisbon, Portugal
10 - Unidade de Nutrição Pediátrica, Centro Materno Infantil | Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Portugal
11 - Serviço de Nutrição, Centro Hospitalar Universitário São João, Porto, Portugal
12 - Center for Health Technology and Services Research – CINTESIS, Porto, Portugal

-    Acta Médica Portuguesa 2023;36(6):401-407. doi: 10.20344/amp.18419

Introdução: A prevalência do nascimento pré-termo tem aumentado em todo o mundo, representando uma das principais causas de morte e perda do potencial humano a longo prazo entre os sobreviventes. Algumas morbilidades na gravidez são fatores de risco conhecidos para o desencadeamento do parto pré-termo. Ainda não se sabe se os desvios de um padrão alimentar adequado se associam ao parto prematuro. A dieta por si só pode ser um importante modulador da inflamação crónica e dietas pró-inflamatórias durante a gravidez, associada ao parto pré-termo. Este estudo teve como objetivo determinar o consumo alimentar durante a gravidez de mulheres portuguesas que tiveram parto muito pré-termo e estudar as principais morbilidades durante a gravidez relacionadas com o parto pré-termo.
Material e Métodos: Foi realizado um estudo observacional transversal, num único centro, incluindo casos consecutivos de mulheres portuguesas que tiveram o parto antes das 33 semanas de gestação. O recordatório dos hábitos alimentares durante a gravidez foi obtido na primeira semana após o parto, utilizando um questionário semiquantitativo de frequência alimentar validado para grávidas portuguesas.
Resultados: Foram incluídas 60 mulheres com idade mediana de 36,0 anos. Destas, 35% eram obesas ou com excesso de peso no início da gravidez, 41,7% e 25,0% tiveram aumento excessivo ou insuficiente de peso durante a gravidez, respetivamente. A hipertensão induzida pela gravidez estava presente em 21,7% dos casos, diabetes gestacional em 18,3%, hipertensão crónica em 6,7% e diabetes mellitus tipo 2 em 5,0%. A hipertensão induzida pela gravidez associou-se significativamente ao aumento do consumo de produtos de pastelaria, fast food, pão, massas, arroz e batatas. Na análise multivariável, apenas o consumo de pão manteve uma associação significativa, embora fraca (OR=1.021; 1.003-1.038, p=0.022).
Conclusão: Este é o primeiro estudo realizado em Portugal, país com hábitos alimentares específicos, a determinar o consumo alimentar durante a gravidez no parto pré-termo, assim como a sua relação com morbilidades na gravidez relacionadas com o parto pré-termo. Para confirmar nossos resultados, serão necessários estudos prospetivos representativos, ajustados às principais covariáveis.

Palavras-Chave: hábitos alimentares; hipertensão induzida pela gravidez; mulheres grávidas; parto pré-termo