1 - Unidade de Gastrenterologia Pediátrica, Área de Pediatria, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, E.P.E;
2 - Serviço de Pediatria, Departamento da Criança e do Jovem, Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca, E.P.E;
3 - Unidade Funcional de Pediatria, Departamento da Criança, Hospital de Cascais Dr. José de Almeida;
4 - Serviço de Cirurgia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, E.P.E;
5 - Centro de Responsabilidade Integrada Gastrenterologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, E.P.E;
- Apresentação Comunicação oral na XXXV Reunião Anual Da Sociedade Portuguesa De Gastrenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica
- Apresentação Comunicação oral na Sessão da Área de Pediatria Médica
Introdução: A terapêutica médica é a primeira linha de tratamento para a Doença de Crohn (DC) pediátrica. Contudo, a cirurgia pode ser necessária por estenoses, fístulas ou abcessos, desaceleração do crescimento apesar de terapêutica otimizada, doença refratária ou intolerância à terapêutica médica.
Objetivos: Caracterização dos casos de DC em idade pediátrica submetidos a cirurgia abdominal.
Métodos: Estudo descritivo e retrospetivo dos casos de DC pediátrica submetidos a intervenção cirúrgica abdominal entre 01/10/2019 – 31/12/2022 num hospital de nível III. Recolha de dados demográficos, características da doença e tratamentos efetuados, através dos registos clínicos.
Resultados: Diagnosticados 70 casos de DC no período em estudo. Incluídos 8 doentes: 7 diagnosticados neste intervalo, metade do género masculino, com idade mediana de 16 anos [11-17 anos]. Localização da doença (classificação de Paris): L1 em 2 (25%), L3 em 5 (62,5%) e L4 em 1 (12,5%). Comportamento estenosante (B2) em 6 doentes (75%) e estenosante e penetrante (B3) em 2 (25%). Indicações cirúrgicas: sub-oclusão em 8 (100%), coexistindo abcesso abdominal recidivante em 3 (37,5%), má progressão estaturo-ponderal em 5 (62,5%). Metade apresentava IMC pré-operatório inferior ao percentil 3. Terapêutica prévia à cirurgia (duração mediana 60 dias): dieta polimérica, antibioticoterapia, corticoterapia, azatioprina, metotrexato e anti-TNF em, respetivamente, 100%, 50%, 50%, 25%, 25% e 25% dos doentes. A mediana de tempo entre o diagnóstico e a cirurgia foi 4 meses [média 8 meses; 1-36 meses]. Efectuadas electivamente: ileocolectomia direita em 62,5% dos doentes, resseção ileocecal em 25% e resseção do íleon terminal em 12,5%. Um doente desenvolveu abcesso intra-abdominal no pós-operatório, não se tendo registado complicações nos restantes. Iniciou-se terapêutica de prevenção da recorrência com anti-TNF nos 8 doentes (100%), precedida de metronidazol em 4 (50%), combinada com azatioprina em 6 (75%) e com metotrexato em 2 (25%).
Conclusões: Todos os doentes operados tinham envolvimento do intestino delgado e 10% doença complicada ao diagnóstico. A doença foi refratária à terapêutica médica e o tempo mediano entre o diagnóstico e a cirurgia foi de 4 meses. A cirurgia associou-se apenas a um evento adverso major. Pelo fenótipo complicado e pela idade dos doentes, iniciou-se tratamento de prevenção da recidiva em todos.
Palavras Chave: Cirurgia abdominal, Doença de Crohn, Idade Pediátrica