1 - Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Centro Clínico Académico de Lisboa
3 - Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
- Póster em congresso nacional - 44ª reunião anual da SPAIC
Objetivo: Analisar as crenças sobre a medicação em adolescentes com asma e avaliar a sua relação com o controlo e gravidade da doença.
Métodos: Neste estudo observacional, transversal, foram incluídos adolescentes com diagnóstico médico de asma que realizaram avaliação funcional respiratória entre 2022 e 2023. Foi aplicado o Beliefs about Medicines Questionnaire (BMQ), subdividido em dois scores (crenças sobre necessidade de medicação e preocupações). Os doentes foram categorizados em quatro grupos como Aceitadores (score necessidade ≥15, preocupações <15), Ambivalentes (≥15, ≥15), Céticos (<15, ≥15) e Indiferentes (<15, <15). Realizou-se uma análise estatística para avaliar a relação entre cada categoria e a idade, sexo, raça, índice de massa corporal, controlo da doença (através do CARAT), FEV1, FEV1/FVC e degrau terapêutico de acordo com a Global Initiative For Asthma 2023. Considerou-se como tendo asma não controlada os doentes com pontuação no CARAT-VAI <16. Resultados: Foram avaliados 80 doentes, com idades entre os 12 e os 17 anos (média 14; desvio padrão 1,7), 66% do sexo masculino. De acordo com o BMQ, 42,5% dos doentes eram Aceitadores, 18,8% Ambivalentes, 10,0% Céticos e 28,7% Indiferentes. Verificou-se que 30 doentes (37,5%) tinham asma mal controlada. A frequência de doentes mal controlados era 38,2% nos Aceitadores, 53,3% Ambivalentes, 50,0% Céticos e 21,7% Indiferentes. Os doentes com asma não controlada tinham pontuações superiores no score de preocupações em relação aos doentes controlados (mediana: 14,0; P25-75: 12,0-16,0 vs mediana: 12; P25-75: 8,0-14,0; p=0,013). Não se verificaram diferenças nas frequências de não controlo entre as diferentes categorias. As quatro categorias não se associaram de forma estatisticamente significativa com nenhuma das variáveis analisadas.
Conclusão: Neste estudo verificamos que apenas cerca de metade dos doentes com asma são “aceitadores” relativamente às suas crenças sobre medicação. Em adição, nesta amostra, pior controlo da asma associou-se a maior score de preocupações. A educação relativamente à medicação para a asma é fundamental para que se desmistifique as preocupações dos doentes e se contribua assim para um melhor controlo.
Palavras Chave: Asma; Terapêutica; Adolescentes; Crenças