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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ALERGIA A CRUSTÁCEOS E MOLUSCOS

Leonor Paulos Viegas1, David Possidónio2, Sónia Rosa2, Miguel Paiva2, Paula Leiria Pinto2.

1-Serviço de Imunoalergologia do Hospital de Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE;
2- Serviço de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE

XXXIV Reunião Anual da SPAIC. Vale de Lobo, Outubro de 2013. (comunicação)

Introdução: As reacções de hipersensibilidade a crustáceos são, na sua maioria, IgE mediadas. A reactividade cruzada entre crustáceos e moluscos é um fenómeno frequentemente descrito mas existem poucos estudos sobre a sua prevalência e relevância clínica.

Objectivo: Avaliar a sensibilização a camarão e moluscos em doentes a quem foi doseada IgE especifica (sIgE) para camarão (sIgE-c) num período de 3 anos e verificar a sua relevância clínica.

Métodos: Estudo retrospectivo dos doentes que realizaram doseamento de sIgE-c, entre 2009 e 2012, num Hospital. Foram consultados os processos clínicos de 242 doentes, com pesquisa de dados demográficos, clínica de alergia ao camarão e a moluscos, sensibilização ao camarão e a moluscos por testes cutâneos por picada (TCP) e sIgE e atopia. Foram excluídos 13 processos por informação incompleta.

Resultados: Foram avaliados 229 doentes, 102 (45%) do sexo masculino, com uma média de idade de 21±16 anos (3-78 anos). Sessenta e seis doentes (29%) apresentavam clínica de alergia ao camarão: 34 com urticária e/ou angioedema; 14 com anafilaxia; 8 com síndrome de alergia oral; 5 com sintomatologia gastrointestinal e 5 com queixas respiratórias. Destes, 57 (86%) estavam sensibilizados a camarão e 19 (29%) sensibilizados a moluscos.
Em 33 doentes (14%) verificou-se alergia a moluscos (polvo, lula, choco, bivalves, caracol). Em 19 doentes (30%) observou-se alergia a camarão e moluscos, dos quais 18 apresentavam sensibilização a moluscos e todos a camarão. Do grupo assintomático para camarão (n=163), 32 (20%) apresentavam sensibilização ao camarão e 24 (15%) a moluscos, destes 9 doentes (38%) tinham clínica com a sua ingestão.

Conclusões: Na nossa amostra, cerca de 30% dos indivíduos têm reactividade clínica e evidência de sensibilização ao camarão e moluscos. São necessários estudos prospectivos que avaliem a importância clínica e factores preditivos da reactividade cruzada entre crustáceos e moluscos.

Palavras-chave: Crustáceos, moluscos, reactividade cruzada, sIgE