1 - Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa
2 - Centro Clínico Académico de Lisboa
3 - Comprehensive Health Research Center (CHRC), NOVA Medical School, Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal
- Póster em congresso nacional - 44ª reunião anual da SPAIC
Introdução: A alergia às proteínas do leite de vaca (APLV) é uma das principais alergias alimentares na idade pediátrica. A prova de provocação oral (PPO) é o gold-standard para o diagnóstico de alergia alimentar, mas é um procedimento com potenciais riscos para o doente. Este trabalho pretende identificar fatores preditivos do resultado da PPO.
Métodos: Estudo observacional retrospetivo que incluiu doentes com idade inferior a 18 anos que realizaram PPO com leite cru no Serviço de Imunoalergologia entre janeiro de 2017 e junho de 2023. Foram analisados dados demográficos, antecedentes pessoais, níveis séricos de IgE total e de IgEs específicas (sIgE) para leite de vaca, caseína, alfa-lactalbumina e beta-lactoglobulina, e resultados das PPOs. Foram excluídos doentes com PPOs inconclusivas ou alergia não IgE mediada. Os doentes foram divididos em dois grupos de acordo com o resultado da PPO (negativo vs positivo).
Resultados: Incluíram-se 197 PPOs, das quais 8.6% (n=17) positivas. Identificaram-se diferenças estatisticamente significativas (tabela 1) relativamente ao sexo masculino (p=.044), valores medianos da IgE total (p=.003), valores medianos das sIgEs (p<.001) e idade mediana de realização da PPO (p=.003). Obtiveram-se valores de cut-off para PPO positiva superiores a 0.35KUA/L para todas as IgEs específicas, com destaque para a caseína (2.31 KUA/L, AUC 0.906, sensibilidade 81.3%, especificidade 92%).
Conclusão: Na nossa amostra, o sexo masculino, valores de sIgEs mais elevados e a idade mais avançada à data da PPO demonstraram associar-se a um resultado positivo na PPO. Estes dados reforçam a importância do encaminhamento de qualquer suspeita de APLV e de um estudo atempado e adequado, realizado por profissionais treinados na gestão desta patologia.
Palavras Chave: alergia alimentar, imunoglobulina E, leite, prova de provocação