1 - Serviço de Imunoalergologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central
2 - Centro Clínico Académico de Lisboa
3 - NOVA Medical School/Comprehensive Health Research Center - CHRC, Lisboa, Portugal
- Póster em Congresso Nacional - 44ª Reunião Anual da SPAIC
Introdução: Garantir uma boa adesão terapêutica, definida por alguns autores como cumprimento de 80% da medicação prescrita, pode ser desafiante, particularmente em adolescentes. Este estudo tem como objetivos: 1) avaliar a adesão terapêutica em adolescentes com asma e 2) estudar a relação entre adesão terapêutica e o controlo da doença alérgica respiratória.
Métodos: Estudo observacional, transversal e unicêntrico em adolescentes entre os 12 e 17 anos, com diagnóstico clínico de asma, acompanhados num serviço de Imunoalergologia de um hospital terciário. A adesão ao tratamento foi avaliada através de escala visual analógica (0-100mm), aplicada aos adolescentes e respetivos acompanhantes, considerando-se a adesão à terapêutica inalatória nas quatro semanas anteriores. Valores superiores a 80 mm foram considerados como indicativos de boa adesão terapêutica. O controlo da doença alérgica respiratória foi avaliado através do questionário CARAT.
Resultados: Participaram 66 adolescentes com idade mediana de 14 anos [P25-P75: 13-16 anos], 62% (n=41) do sexo masculino. Uma boa adesão terapêutica foi reportada por 58% (n=38) dos adolescentes e 61% (n=40) dos acompanhantes, existindo concordância moderada (kappa=0,624, p<0.001). O grupo etário dos 12-15 anos apresentou uma menor proporção de adesão à terapêutica comparativamente ao grupo dos 15-17 anos [47% (n=23) versus 88% (n=15), valor-p=0,003]. Relativamente ao controlo sintomático avaliado pelo CARAT, observou-se um controlo global da doença em 32% (n=21) dos adolescentes, e um controlo das vias aéreas inferiores em 56% (n=37) dos participantes. Os adolescentes que apresentavam controlo global da doença reportaram uma maior proporção de boa adesão à terapêutica relativamente aqueles sem controlo da doença [76% (n=16) versus 49% (n=22), valor-p=0.037].
Conclusão: Este estudo evidencia baixa adesão à terapêutica em adolescentes. É essencial desenvolver estratégias dirigidas a adolescentes que visem a melhoria da adesão terapêutica, obtendo melhor controlo da doença alérgica respiratória.
Palavras Chave: Asma, Adesão terapêutica