1 - Unidade de Neuropediatria, Área de Pediatria, Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa;
2 - Serviço de Pediatria, Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, Ponta Delgada;
3 - Serviço de Pediatria, SESARAM – Hospital Dr. Nélio Mendonça, Funchal;
4 - Serviço de Neurorradiologia, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, Lisboa.
- XI Reunião de Neurogenética “Novas abordagens terapêuticas em doenças neurogenéticas: aplicabilidade clínica e estado da arte”, Lisboa, 20 de Outubro 2023
Introdução: A Adrenoleucodistrofia ligada ao X (X-ALD) é uma doença peroxissomal rara, neurodegenerativa, causada por mutação no gene ABCD1. Tem um espectro clínico variável, desde insuficiência adrenal, mielopatia, neuropatia periférica e leucodistrofia progressiva. O transplante de células hematopoéticas (TCH) é até ao momento a única terapêutica modificadora de doença em fases precoces de leucodistrofia, não afetando, contudo, a progressão da insuficiência adrenal. A terapia génica tem surgido como uma alternativa nos doentes com X-ALD, revelando bons resultados na progressão neurológica, semelhante aos reportados em doentes submetidos a TCH, mas sem os efeitos adversos associados.
Objectivos: Caracterizar os doentes com diagnóstico de X-ALD.
Métodos: Estudo descritivo dos doentes com diagnóstico de X-ALD seguidos na Unidade de Neuropediatria do HDE, de 2009 a 2023. Analisam-se os dados demográficos, apresentação clínica, evolução da doença, terapêutica e caracterização genética.
Resultados: A amostra é composta por 4 doentes de sexo masculino, com diagnóstico sintomático de X-ALD, com mutação no gene ABCD1. Os sintomas iniciais ocorreram entre os 5 e os 8 anos, sendo a clínica mais frequente as alterações visuais e as perturbações de comportamento. Todos os doentes (100%) apresentaram leucodistrofia com score de Loes entre 10-12, e insuficiência adrenal. Três doentes (75%) foram submetidos a TCH. Destes, dois atualmente com 13 e 19 anos, apresentaram estabilidade clínica e imagiológica após TCH. Outro apresentou uma rápida progressão da doença neurológica, com evidência de mielopatia e neuropatia periférica, acabando por falecer 10 anos pós-TCH. O doente com diagnóstico em 2023, atualmente com 8 anos, encontra-se a aguardar TCH, estando atualmente inserido num ensaio com o medicamento orphan MIN-102.
Conclusões: A terapia génica combinada com TCH é considerada como um novo tratamento promissor para X-ALD. No entanto, muitas são as incertezas quanto ao momento ideal para o tratamento, e qual o impacto (de um possível DPN) na mudança de paradigma da X-ALD.
Palavras Chave: Adrenoleucodistrofia, diagnóstico pré-natal, transplante de células hematopoiéticas