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2020

ANUÁRIO DO HOSPITAL
DONA ESTEFÂNIA

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ADOLESCÊNCIA E EPILEPSIA

Carolina Viveiro1, Andreia Gomes Pereira2, Rita Lopes da Silva2

  • Serviço de Pediatria, Hospital Santo André- Centro Hospitalar de Leiria-Pombal-EPE;
  • Serviço de Neurologia Pediátrica, Hospital Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central, EPE, Lisboa
  • VIII Congresso de Neuropediatria, Lisboa, 24-25 Jan 2013 (apresentação oral)
  • Resumo publicado na Revista Sinapse Vol 13, nº1, Maio 2013

Introdução:A Epilepsia é uma doença neurológica crónica frequente na adolescência. Interfere com diferentes áreas da vida, como autonomia, socialização e rendimento escolar.

Objectivos:Apurar o impacto da Epilepsia na vida de adolescentes e inferir os conhecimentos acerca da sua doença.

Material e métodos: Estudo transversal descritivo, baseado num questionário anónimo, dirigido a adolescentes seguidos em consulta Neuropediatria, entre Março e Outubro de 2012. Analisaram-se variáveis relacionadas com hábitos sociais, tipo de epilepsia, medicação, conhecimentos e impacto da doença.

Resultados: Obtiveram-se 39 questionários, 54% do sexo feminino, com idade média 15,1 anos. A maioria (77%) teve menos de 1 crise/mês no último ano e negava abstenção escolar (62%), porém 44% já tinham reprovado e 46% beneficiavam de apoio educativo. Cerca 61% era responsável pela medicação, embora 48% mencionasse esquecimentos. Efeitos secundários foram relatados em 62%, sendo mais prevalentes: sonolência (33%) e aumento ponderal (21%). Entre as 15 adolescentes com mais de 14 anos, apenas 13% tomavam ácido fólico e 7% anticonceptivos orais. A maioria dos adolescentes não pensa muito porque tem epilepsia (64%), nem considera que complica a sua vida (67%). Contudo, 54% afirma que a sua vida seria mais feliz sem esta patologia. Relativamente aos conhecimentos, 74% refere tratar-se de uma doença do cérebro; 90% que desaparece ao longo da vida. A maioria sabe agir corretamente perante uma convulsão. Apenas 33% procura informar-se sobre a epilepsia, recorrendo sobretudo à internet e médico assistente.

Conclusões: Os adolescentes da amostra apresentam um nível razoável de conhecimentos sobre a sua patologia, convivendo adequadamente com a mesma. Salienta-se o elevado número de efeitos secundários referidos de dificuldades escolares.
Este estudo piloto permitiu conhecer o impacto da epilepsia na população adolescente e optimizar a informação e os cuidados de saúde prestados. No futuro, pretende-se realizar um estudo multicêntrico ibérico com uma metodologia idêntica.

Palavras-chave: epilepsia, adolescência